Título: BC ELEVA PROJEÇÃO DE INFLAÇÃO, MAS ÍNDICE AINDA ESTÁ BEM ABAIXO DA META
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Fonte: O Globo, 29/06/2006, Economia, p. 24

Para este ano, estimativa é de 3,80%, contra 3,70% da previsão anterior

BRASÍLIA, RIO e CONTAGEM. Os juros básicos ¿ que recuam há nove meses e impulsionaram um crescimento econômico mais robusto, puxado pela indústria ¿ e o cenário internacional mais turbulento levaram o Banco Central (BC) a revisar ligeiramente para cima as projeções de inflação para 2006 e 2007, informou o diretor de política econômica da instituição, Afonso Bevilaqua. No entanto, os números permanecem, com folga, dentro da meta para o período, de 4,5% pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos, segundo o Relatório Trimestral de Inflação.

Tomando como base o cenário de referência ¿ com juros constantes a 15,25% ao ano e câmbio a R$2,30 ¿ o BC espera que a inflação deste ano feche em 3,80%, ligeiramente acima dos 3,70% previstos no relatório anterior, de março passado. Para 2007, as estimativas foram revistas de 3,9% para 4,2%. O BC, como já indicou em outras ocasiões, ainda não tem claro qual a intensidade do reflexos da queda de juros e passa a se focar mais intensamente no próximo ano.

Especialistas continuam prevendo queda nos juros

Mesmo com a correção nas previsões para a variação dos preços ¿ principal orientadora da política monetária ¿ os especialistas continuam apostando que os juros básicos serão reduzidos na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em julho. Desde setembro passado os cortes feitos na taxa Selic somam 4,5 pontos percentuais, com os juros chegando a 15,25% ao ano.

O efeito desta trajetória dos juros é sentido na expansão da economia. A autoridade monetária manteve a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas do país) em 4% para este ano, acima do que espera o mercado (3,60%). Mas mudou o peso dos setores no resultado. A agropecuária perdeu espaço e, agora, o BC fala em crescimento de 3,6% para a atividade em 2006, abaixo dos 4,8% de antes. Bevilaqua, no entanto, não acha que essa mudança seja relevante, já que o setor não tem muito peso dentro do cálculo do PIB, de cerca de 10%.

Os motores serão a indústria e os serviços, cuja expectativa de expansão subiu 0,1 ponto percentual cada, para 5,4% e 3%, respectivamente. O diretor argumentou que, além dos juros, o PIB crescerá por conta do aumento da renda, do emprego e dos investimentos:

Sobre o cenário externo, o BC continua entendendo que os temores do mercado neste momento não podem ser considerados ¿crise¿. Bevilaqua, no entanto, reconheceu que esse movimento, além da possibilidade de durar mais alguns meses, pode piorar as previsões de inflação. Pelo relatório, o BC voltou a afirmar que terá parcimônia na condução das taxas de juros, mas ressaltou que a economia brasileira está com bons fundamentos e com a inflação sob controle:

¿ A volatilidade é recente, mas não tem havido contaminação (na inflação). Risco existe e temos de estar atentos para que que ele não se materialize.

O BC também voltou a chamar a atenção para a situação fiscal do Brasil neste ano eleitoral, mas reafirmou que a meta de 4,25% do PIB para o superávit primário (economia que o país faz para pagamento de juros) será cumprida.

Confiança do consumidor ficou estável, diz FGV

O humor do consumidor ficou praticamente estável em junho. Após quatro meses de quedas, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou 101 pontos ¿ só 0,1% abaixo do que se vira em maio.

Em encontro com 12 grandes empresários da Federação das Indústrias de Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que seu objetivo é manter a política de queda de juros. Segundo o vice-presidente José Alencar, que também estava no encontro, Lula fez uma exposição da situação econômica, mas também falou de política. Segundo empresários, Lula reclamou que as PPPs (Parcerias Público-Privadas) ainda não estão andando como o governo gostaria e pediu que eles apresentem projetos para reverter isso.

¿ O presidente garantiu que o objetivo é continuar baixando os juros. Mas ninguém pode falar em índice ¿ disse José Alencar.