Título: PROVA BRASIL MOSTRA BAIXA QUALIDADE DO ENSINO
Autor: Demetrio Weber
Fonte: O Globo, 30/06/2006, O País, p. 14
Exame que avaliou 3,3 milhões de alunos do ensino fundamental tem resultados melhores e piores, dependendo da série
BRASÍLIA. O Prova Brasil, maior avaliação já feita no ensino fundamental brasileiro, apontou ligeira melhora na pontuação dos estudantes de 4ª série em leitura e matemática. O rendimento dos alunos de 8ª série em leitura, porém, piorou, tendo permanecido estável o desempenho em matemática nessa série. Os resultados serão anunciados hoje pelo ministro Fernando Haddad e mostram que o país ainda está longe de oferecer uma educação de boa qualidade.
É a primeira vez que o Ministério da Educação (MEC) avalia a maioria dos estudantes. Até 2003, era realizado apenas um teste por amostragem, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O Prova Brasil foi aplicado em 2005 a 3,3 milhões de estudantes. Para o MEC, é possível comparar os resultados do Prova Brasil com o Saeb, realizado em 2003.
O Distrito Federal obteve as médias mais altas na 4ª série, em leitura e em matemática, com 190,4 e 198,8 pontos respectivamente. A escala vai até 350 pontos. No Rio de Janeiro, a média foi 178,4 e 184,4. O Nordeste registrou as duas piores médias.
Provas foram danificadas e perdidas em Tocantins
Do Prova Brasil, participaram apenas escolas urbanas. Todas elas terão acesso a boletins com o resultado comparado às médias nacionais e regionais. Para o MEC, esse será um importante instrumento para orientar o trabalho das escolas, apontando problemas e pontos fortes.
A aplicação do Prova Brasil teve problemas em Tocantins. As provas respondidas pelos alunos de 8ª série foram danificadas pela água da chuva e, assim, perdidas. Segundo a secretária da Educação, Maria Auxiliadora, o problema teria ocorrido no transporte das provas pela empresa contratada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Ela disse que uma nova prova será realizada em novembro.
¿ A informação que recebi do Inep é que a empresa que transportou os gabaritos deixou que eles fossem molhados e ficassem ilegíveis. É ruim ficarmos sem os resultados agora ¿ disse ela, lembrando que os alunos que serão avaliados em novembro obviamente não são os mesmos do ano passado, o que afetará a série histórica da avaliação em Tocantins.