Título: Governo financiará compra de conversor de TV
Autor: Patrícia Duarte/Mônica Tavares
Fonte: O Globo, 30/06/2006, Economia, p. 27
Consumidor terá linhas de crédito. Indústria diz que no início o aparelho mais simples chegará a custar R$ 400
BRASÍLIA. O governo vai conceder incentivos fiscais e linhas de crédito para facilitar a compra dos conversores para TV Digital por parte dos consumidores finais. Isso porque a indústria já adianta que os preços, sobretudo nos primeiros meses de lançamento, não devem ser os mais atrativos. Alguns já falam entre R$200 e R$400 a unidade mais simples, ou seja, apenas para a conversão de imagens de digitais para analógicas, sem mecanismos de interatividade.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, defendeu que as medidas do governo terão objetivo de garantir "preço extremamente acessível à população".
- O governo está cogitando fazer toda desoneração fiscal necessária - afirmou Dilma, após participar da solenidade de lançamento do sistema de TV Digital no Brasil.
Idéia é ter prestações de até R$10 por mês
A ministra adiantou ainda que estão sendo preparadas medidas para criar linhas de financiamento para o consumidor final adquirir os conversores. Ela, no entanto, não deu mais detalhes de como seriam esses créditos. No governo, a idéia é levar os preços desses aparelhos para algo entre R$80 e R$100 a unidade e, segundo informou ontem o ministro das Comunicações, Hélio Costa, com prestações de R$8 a R$10 mensais.
O movimento que o governo quer fazer é parecido com o do programa Computador para Todos, lançado no fim do ano passado e pelo qual foram isentos de impostos os fabricantes das máquinas e liberados recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para financiamento.
Em um ano mercado deve ter televisores digitais
A indústria dá sinais de que quer incentivos. O presidente da Semp Toshiba, Afonso Hennel, argumentou ontem que a carga tributária é um dos fatores mais importantes na formação de preços dos equipamentos. Segundo suas contas, os conversores mais simples deverão sair entre R$200 e R$400 para o consumidor final.
- Com o tempo, os preços tendem a recuar com escala de produção maior - avaliou Hennel, para quem os conversores estarão no mercado em aproximadamente seis meses.
A troca de tecnologia da TV brasileira vai movimentar cerca de US$88 bilhões na indústria de eletroeletrônicos nos próximos dez anos, estima o presidente da Gradiente, Eugênio Staub, que comemorou o fato de, com a decisão do governo, haver a possibilidade de desenvolvimento de tecnologia nacional. Para ele, em 12 a 15 meses os primeiros aparelhos digitais estarão no mercado.
Os próximos passos, dizem os empresários, são os que decidirão os detalhes tecnológicos dos aparelhos. Na avaliação do presidente da Samsung, Benjamin Sicsú, o produto final (a TV propriamente dita) deverá estar disponível para o consumidor final em um ano.
Segundo Sicsú, apenas o custo dos aparelhos para a indústria é de US$33 (cerca de R$70). Mas o preço final ao consumidor será bem mais salgado devido à carga tributária, ao gasto com transporte e ao lucro do revendedor, entre outras despesas.