Título: Maioria dos alunos tem dificuldades de leitura
Autor: Demétrio Weber
Fonte: O Globo, 01/07/2006, O País, p. 12

Rendimento da 4ª série é crítico em português; média em matemática é melhor, mas 16 estados foram `reprovados¿

BRASÍLIA. O Prova Brasil mostrou que a maioria dos estudantes brasileiros de escolas públicas urbanas na 4ª série tem dificuldades de leitura. Após quatro anos de estudo, eles tiveram rendimento classificado como ¿crítico¿ no teste de português, que analisa a capacidade de compreender textos. Em matemática, a média nacional ficou ligeiramente melhor, no nível intermediário, apesar de 16 estados terem sido ¿reprovados¿. As médias nacionais nos alunos de 8ª série também ficaram no nível intermediário. O exame avaliou 1,9 milhão de alunos de 4ª série e 1,3 milhão de 8ª.

O Distrito Federal alcançou o melhor desempenho na 4ª série, em leitura e matemática, o mesmo ocorrendo com Mato Grosso do Sul no ranking na 8ª série. As escolas do Rio de Janeiro tiveram seu melhor desempenho em leitura na 8ª série: terceiro lugar, caindo para nono em matemática. Na 4ª série, a média dos estudantes fluminenses foi a quinta mais alta em português e a sexta, em matemática.

A classificação do nível de conhecimento dos estudantes em ¿crítico¿ ou ¿intermediário¿ considera escala desenvolvida em 2003 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Ontem, ao anunciar os resultados do Prova Brasil, o ministro da Educação, Fernando Haddad, evitou estabelecer qualquer parâmetro para definir se o desempenho dos estudantes brasileiros no exame foi positivo, negativo ou se atende ao mínimo de qualidade que o MEC espera do sistema de ensino.

Comparação com Saeb mostra melhora na 4ª série

Haddad preferiu comparar os resultados do exame com as notas médias do último Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), teste semelhante ao Prova Brasil, mas feito por amostragem e envolvendo também as escolas particulares e rurais em 2003. A comparação mostrou melhoria de cinco pontos em leitura e matemática da 4ª série, piora de três pontos em leitura e estabilização em matemática na 8ª série. De acordo com o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, porém, a comparação só pode ser feita com ressalvas, pois são exames com formatos diferentes.

Haddad destacou que o Prova Brasil tem como novidade oferecer resultados por escola, permitindo que seus diretores estabeleçam metas. Sem definir a pontuação mínima adequada para cada série, o ministro disse que as escolas devem perseguir melhorias no exame realizado a cada dois anos para que o Brasil integre pelo menos o grupo intermediário de países desenvolvidos com melhor rendimento em avaliações internacionais.

¿ O ritmo de cinco pontos precisa ser aumentado. Precisaríamos atingir 7, 8 ou 10 pontos a cada edição do Prova Brasil. Se isso acontecer, a meta será atingida em dez anos.

O Prova Brasil custou R$54 milhões ao Inep. Fernandes disse que uma comissão analisa a definição de parâmetros para tornar claro o que significam as notas em termos de nível de conhecimento.

Em Alagoas e Rio Grande do Norte o pior desempenho

Paralelamente ao Prova Brasil, o Inep também aplicou no ano passado o Saeb 2005, feito por amostragem. A idéia é manter a série histórica iniciada em 1995, quando o exame foi padronizado para permitir a comparação a cada edição.

¿ A comparação correta vai ser a do Saeb com Saeb ¿ disse Fernandes, adiantando que os resultados do exame por amostragem serão divulgados nos próximos meses.

Os estados do Nordeste tiveram o pior desempenho no exame. Na 4ª série, as escolas do Rio Grande do Norte ficaram em último lugar. Na 8ª série, Alagoas segurou a lanterna. Na média, os estados nordestinos são os que têm menos dinheiro para financiar a rede pública no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). Curiosamente, Roraima, que é o estado com mais recursos por estudante, teve o segundo pior desempenho do país em matemática e o quarto pior em leitura na 4ª série.