Título: BOLÍVIA: GOVERNO TERÁ QUE NEGOCIAR REFORMAS
Autor: Janaina Figueiredo
Fonte: O Globo, 04/07/2006, O Mundo, p. 25
Oposição promete pressionar Morales por aprovação de lei sobre autonomia nos estados onde venceu o `sim¿
BUENOS AIRES. Um dia depois da eleição dos membros da Assembléia Constituinte e do referendo sobre autonomias, tanto o governo do presidente boliviano, Evo Morales, como os principais movimentos opositores do país coincidiram em afirmar que a partir de agora a busca do consenso será crucial para dar continuidade ao processo de reforma da Constituição nacional. De acordo com dados divulgados pela empresa de consultoria Equipos Mori (com base no sistema de contagem rápida dos votos), o Movimento ao Socialismo (MAS) de Morales terá entre 132 e 135 representantes na Assembléia Constituinte, de um total de 255 cadeiras.
Isso significa que o MAS obteve cerca de 53% dos votos, um pouco abaixo dos 53,7% conseguidos por Morales na eleição presidencial de dezembro passado. No referendo sobre autonomias, o ¿não¿, opção defendida pelo governo venceu em cinco dos nove departamentos (estados) da Bolívia e alcançou 56% do total dos votos, contra 46% do ¿sim¿.
Na noite de domingo, o presidente assegurou que seu partido havia obtido 60% dos votos na eleição constituinte. Mas, ontem, o vice-presidente Alvaro Garcia Linera admitiu que o percentual foi mais baixo.
¿ Estamos muito felizes por poder trabalhar num processo no qual queremos atuar em conjunto, com todos, até mesmo com a direita ¿ assegurou Garcia Linera.
De acordo com a contagem rápida de votos, a aliança de direita Podemos (Poder Social e Democrático) do ex-presidente e ex-candidato à Presidência, Jorge ¿Tuto¿ Quiroga, obteve 33% dos votos na eleição constituinte e terá 60 representantes na assembléia.
¿ Buscar consensos e negociar serão os pontos fortes desta assembléia ¿ declarou Tuto Quiroga.
Já o movimento Unidade Nacional, liderado pelo empresário e também ex-candidato à Presidência Samuel Doria Medina, ficou com 7,9% dos votos e teria 11 representantes na assembléia. No total, cerca de 13 movimentos políticos participarão do processo de elaboração da nova Constituição, que começará no próximo dia 6 de agosto em Sucre, capital do país.
Governo ampliou base de apoio nos estados ricos
O pedido de autonomia será uma das questões que será tratada pela Assembléia Constituinte. O objetivo dos movimentos é que seja aprovada uma lei sobre autonomias que poderia ser aplicada nos estados onde venceu o ¿sim¿ a partir da entrada em vigência da nova Constituição, em 2007. Embora o MAS tenha ampliado sua base de apoio nos estados ricos do leste boliviano, a oposição demonstrou ainda ser forte e exigirá que o pedido de autonomia seja ratificado pela assembléia. O governo parece disposto ao debate.
¿ Um país se constrói com acordo, pluralidade e tolerância ¿ assegurou o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, braço-direito do presidente Morales.