Título: LULA TERIA SIMPATIA POR COTAS SOCIAIS
Autor:
Fonte: O Globo, 05/07/2006, O País, p. 13
Presidente, no entanto, estaria evitando dar sua opinião sobre o tema
BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem demonstrado, em conversas com aliados, simpatia maior pela criação de cotas com base em critérios sócio-econômico, as chamadas cotas sociais, e não exclusivamente em critérios raciais, para o ingresso em universidades públicas. Mas como o tema é muito polêmico e delicado, Lula estaria evitando, segundo esses meses interlocutores, dar qualquer declaração que demonstre sua preferência.
Representantes da base governista no Congresso têm manifestado preocupação com o aumento da pressão dos defensores das cotas para negros e a forma agressiva como muitos atacam os que discordam da cota racial. Os que defendem a cota social encontram dificuldade para expor a visão diferente porque são acusados de racismo.
Aliados favoráveis à cota social argumentam que, até momento, no Brasil, ao contrário do que se houve nos EUA e na África do Sul, não há uma política de Estado que possa ter como conseqüência o reforço do racismo. E leis como as que tramitam na Câmara e que criam cotas para negros nas universidade federais poderiam caminhar neste sentido.
Cota social não deixaria marca nos beneficiados
Já a cota social tem caráter universal e não poria marca nos beneficiados, porque tem como critério o nível de renda e não a raça como o Prouni, em que primeiro é considerado o nível de renda dos beneficiários. Entre eles são fixadas cotas para negros e índios.
Na Câmara, há um clima favorável entre os líderes partidários em relação ao projeto de cotas para negros em universidades públicas. Com galerias lotadas por defensores da proposta, o líder do PDT, Miro Teixeira (RJ), conseguiu facilmente a assinatura de todos os líderes para o requerimento de votação em regime de urgência. Integrantes do governo afirmaram que a proposta enviada ao Congresso leva em conta aspectos sociais e não apenas a questão racial.