Título: FOGUETE CAI EM ESCOLA E ISRAEL AMEAÇA RETALIAR
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Fonte: O Globo, 05/07/2006, O Mundo, p. 34

Termina ultimato para libertação de presos palestinos, mas soldado israelense continuaria vivo. Haniyeh pede negociação

CIDADE DE GAZA. Um míssil de fabricação artesanal disparado da Faixa de Gaza contra uma cidade israelense elevou ainda mais a tensão na região, já alta por conta do seqüestro de um militar por grupos extremistas palestinos. Com o ultimato dado pelos seqüestradores do soldado Gilad Shalit expirando ontem de manhã, o primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, renovou seu apelo para que o israelense não seja executado e para que o assunto seja resolvido na mesa de negociações. Mas tanto Israel quanto os grupos palestinos se negam a negociar.

Pela primeira vez um foguete Qassam atingiu o centro da cidade israelense de Ashkelon, acertando o estacionamento de uma escola vazia. Apesar de ninguém ter ficado ferido, Israel considerou o ataque uma "grave escalada" no conflito, culpou o Hamas e disse que o grupo, atualmente no governo palestino, seria o primeiro a sofrer as conseqüências. À noite, o ministro da Defesa, Amir Peretz, ordenou que o Exército intensificasse as operações na Faixa de Gaza.

Foguete de mais longo alcance até o momento

As Brigadas Izzedin al-Qassam, braço-armado do Hamas, assumiram a autoria do ataque com o foguete, que atingiu a maior distância dentro do território israelense até o momento. O novo foguete seria uma versão atualizada do Qassam e atingiu uma distância de dez quilômetros a partir do norte da Faixa de Gaza. Na véspera, Israel bombardeara uma universidade ligada ao Hamas, em Gaza.

- Esta é uma grande e incomparável escalada na guerra terrorista pela qual o Hamas é responsável - disse o premier de Israel, Ehud Olmert. - O ataque terá conseqüências de longo alcance e o movimento Hamas será o primeiro a pagar por isso.

Mais cedo, Olmert já havia advertido que as operações na Faixa de Gaza em busca do soldado poderiam se transformar numa "longa guerra". Segundo o porta-voz do governo de Israel, o militar continua vivo:

- Sabemos que está ferido e que foi atendido por um médico. Ele está vivo.

Em Gaza, as Brigadas Izzedin al-Qassam, o Comitê de Resistência Popular e o Exercito Islâmico - as três facções que capturaram o militar - afirmaram que não desejavam matá-lo mesmo após o fim do prazo para Israel começar a libertar mais de mil palestinos presos, além de mulheres e jovens. Mas anunciaram que estavam retirando seus representantes das negociações com mediadores egípcios e que não seriam mais dadas informações sobre o refém.

Isso levou Haniyeh - ele próprio na lista de alvos de Israel - a reforçar seu apelo:

- O governo palestino renova seu pedido para que a vida do soldado seja preservada e continua se esforçando para encontrar uma saída - disse.

Olmert, por sua vez, recusa qualquer tentativa de negociação. E afirmou que Israel poderá assassinar líderes do Hamas se Shalit não for libertado.

Forças israelenses tomaram ontem a parte palestina da passagem de Erez, no norte da Faixa de Gaza. Esta foi a terceira zona ocupada por Israel nos últimos dias, após tomar o sul da Faixa de Gaza na semana passada e entrar no norte. Com a região isolada, a agência da ONU que ajuda os refugiados palestinos, distribuindo comida para metade da população de Gaza, anunciou ontem que está ficando sem reservas e que o bloqueio deixará a região à beira de uma catástrofe. À noite, Israel bombardeou a sede do Ministério do Interior palestino.