Título: Congelamento segura reajuste argentino
Autor: Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 06/07/2006, Economia, p. 22
Alta no semestre foi de 4,9%, inferior aos 6% do ano passado
BUENOS AIRES. O governo do presidente da Argentina, Néstor Kirchner, comemorou ontem mais uma vitória em sua guerra contra a inflação. De acordo com dados divulgados pelo Indec (o IBGE argentino), nos primeiros seis meses deste ano o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 4,9%, bem abaixo dos 6% registrados no mesmo período do ano passado.
De acordo com projeções realizadas por analistas locais, depois de ter fechado o ano passado com inflação de 12,3%, este ano o país conseguirá cumprir a meta estabelecida pelo governo, de 11%.
Nos últimos sete meses, o Ministério da Economia assinou uma série de acordos com supermercados e empresas produtoras de alimentos para congelar o preço de vários produtos, estratégia que, afirmaram especialistas argentinos, mostrou ser eficaz a curto prazo, mas custará caro ao país a longo prazo. Além dos acordos para fixar preços, o governo restringiu as exportações de carne, medida que foi duramente criticada pelos produtores locais.
- A estratégia do governo certamente vai afastar investimentos. Hoje temos a inflação controlada, mas no futuro teremos menos investimentos e isso vai afetar o crescimento do país - afirmou o diretor da empresa de consultoria Exante, Aldo Abram, para quem os acordos assinados pelo governo apenas adiam o impacto da inflação.
Em junho passado, o IPC subiu 0,5%, um pouco abaixo das previsões dos economistas argentinos e também do governo. O secretário de Comércio, Guillermo Moreno, artífice dos principais acordos sobre preços, disse recentemente que mês passado o país teria inflação zero. O resultado foi bem diferente: o preço de alimentos e bebidas aumentou 0,5% e os serviços foram reajustados em 0,8%.
O principal objetivo do governo Kirchner, que já está pensando nas eleições presidenciais de 2007, é evitar que a inflação supere 11% este ano.
- Se o Banco Central (BC) continuar aplicando uma política monetária austera, como tem feito até agora, será possível cumprir a meta este ano e ter uma inflação de um dígito em 2007. Mas o mérito seria basicamente do BC - enfatizou Abram.