Título: Fipe: inflação semestral em São Paulo é a mais baixa dos últimos 12 anos
Autor: Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 06/07/2006, Economia, p. 22
Fundação prevê que IPC subirá 2,5% em 2006, a menor variação desde 1998
SÃO PAULO. Os preços ao consumidor na capital paulista recuaram 0,31% no mês passado, na terceira deflação medida pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da Universidade de São Paulo (USP), desde o início de 2006. Houve recuo de preços de 0,03% no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) em fevereiro e de 0,22% em maio. Com isso, a alta acumulada nos seis primeiros meses do ano não passou de 0,10%, a menor taxa para o período desde a criação do real, em julho de 1994.
- O cenário é bastante confortável - disse o economista da Fipe Paulo Picchetti, que descartou o risco de descontrole de preços nos próximos seis meses.
Por trás desses números, segundo Picchetti, estão fatores como a forte desaceleração de preços dos alimentos e o efeito positivo da desvalorização do dólar sobre produtos e insumos importados.
O resultado de junho fez a Fipe reduzir pela segunda vez sua estimativa para a inflação este ano na cidade de São Paulo. A projeção, que em janeiro era de 4,5%, caiu há dois meses para 4%, e ontem a entidade divulgou um número ainda menor, de 2,5%. Se confirmada a expectativa, será a menor variação desde 1998, quando o IPC registrou uma deflação de 1,79%.
No acumulado de 12 meses até junho, a alta dos preços foi de 1,86%. O resultado foi melhor apenas que o do período de julho de 1998 a junho de 1999 (com deflação de 0,50%).
Alta virá sem pressão, diz economista da Fipe
Mesmo que o grosso da inflação esperada para todo o ano se concentre no segundo semestre, o economista afirmou também que a elevação de preços será gradual e homogênea, sem a pressão de "vilões isolados".
- A trajetória de deflação está no fim e os preços estão voltando para um patamar muito próximo da estabilidade. Agora, a tendência é de manutenção dos preços ou até mesmo de elevação - disse o economista da Fipe.
Os sinais dessa mudança gradual já aparecem na pesquisa da Fipe. O ritmo de queda dos preços do grupo Alimentação, por exemplo, vem desacelerando desde o início do mês passado. O recuo, que chegou a ser de 2,5% na segunda semana de junho, passou para 1,6% na seguinte e para 0,3% na última semana do mês. No subgrupo Alimentos Industrializados, houve uma mudança de rota: de uma queda de 0,6% na terceira semana para uma variação positiva de 0,08%.
Dos sete grupos pesquisados pela Fipe, três tiveram deflação em junho, com destaque para Alimentação (-1,36%). Já os preços de Transportes caíram em média 0,32% e os do grupo Despesas Pessoais, 0,30%. Essas variações foram compensadas, na outra ponta, pela variação positiva de preços no setor de serviços. Metade das 14 principais altas individuais do IPC em junho saiu desse setor. Foi o caso de Reparo no Domicílio (0,98%), Serviço Doméstico (0,88%), Seguro de Veículo (0,72%) e Condomínio (0,54%).
Depois das deflações registradas em maio e junho, a estimativa para o IPC de julho é de uma alta de 0,20%. Deste percentual, 0,05 ponto percentual deve vir do item Viagem, já que as férias escolares levarão necessariamente a um aumento da procura por pacotes turísticos. Outro 0,01 ponto percentual é esperado pela correção de preços da tarifa de energia elétrica.