Título: SAÍDA RECORDE DE INVESTIDOR ESTRANGEIRO
Autor: Patricia Eloy
Fonte: O Globo, 06/07/2006, Economia, p. 25
Saldo no mercado de ações ficou negativo em R$2,2 bi em junho
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o mês passado com o pior saldo estrangeiro da sua história, resultado dos receios dos investidores em relação a uma nova alta dos juros nos Estados Unidos. O resultado ficou negativo em R$2,26 bilhões em junho, o maior desde que o dado começou a ser calculado pela Bolsa, em 1992. As compras somaram R$16,53 bilhões e as vendas, R$18,79 bilhões. Até então, a maior saída havia sido de R$1,9 bilhão, em abril de 2005. Em maio, o resultado negativo havia sido de R$1,51 bilhão.
Com o resultado do mês passado, o balanço do ano ficou pela primeira vez no vermelho em R$550 milhões. Em abril deste ano, a diferença entre a compra e venda de ações por estrangeiros chegou a ficar positiva em R$3,22 bilhões.
Apesar de junho ter chegado ao fim com o pior resultado da história da Bolsa, analistas ponderam que o movimento deve ser passageiro e que os investidores venderam ações em todo o mundo, portanto o Brasil apenas acompanhou a tendência externa.
- Os fundos de mercados emergentes tiveram, em junho, o maior resgate dos últimos seis anos, então, era de se esperar que o movimento fosse similar no Brasil. Os fundamentos do mercado, no entanto, não mudaram. Por isso, nos últimos dias, vimos um número cada vez maior de estrangeiros voltando a aplicar em ativos brasileiros - explica Carlos Carvalho Junior, sócio da Saga Investimentos.
Ele lembra que, em maio, as apostas dos estrangeiros numa valorização das ações brasileiras chegaram a US$1 bilhão no mercado futuro, um patamar recorde. Depois de reduzirem a zero essas aplicações, nas últimas semanas tais apostas chegaram próximo de US$500 milhões.
- Os estrangeiros estão aproveitando a queda do mês passado para comprar ações de empresas como Vale do Rio Doce, Petrobras, Bradesco e Itaú a um patamar de preços bem mais baixo. O Brasil continua sendo uma boa aposta - diz Álvaro Bandeira, diretor da Ágora Senior. (Patricia Eloy)