Título: VENEZUELA AINDA TEM PESO MENOR NO MERCOSUL
Autor: Eliane Oliveira
Fonte: O Globo, 06/07/2006, Economia, p. 26
Na próxima cúpula, país terá direito a voz, não a voto, porque protocolo precisa ser ratificado
BRASÍLIA. A assinatura do protocolo de adesão como membro pleno do Mercosul ontem, em Caracas, não é suficiente para que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, tenha o mesmo peso de decisão que os demais sócios do bloco na próxima cúpula do Mercosul, que acontecerá este mês em Córdoba, na Argentina. Segundo o Itamaraty, a entrada da Venezuela no Mercosul precisa, primeiro, ser aprovada pelos Congressos de cada país. Isso significa que, até o protocolo ser ratificado, os venezuelanos já estarão na condição de Estado-parte, mas só com direito a voz, não a voto.
Na terça-feira, a Venezuela passou a ser classificada como país em processo de adesão. Assim, não será tratada como convidada - caso de Chile, Bolívia, Colômbia, Peru e Equador, que têm acordos de preferências tarifárias com o Mercosul. Mas o governo do país não poderá vetar as decisões de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai nas cúpulas, até a votação doméstica do protocolo, que também precisa ser registrado na Associação Latino-Americana de Integração (Aladi).
- Em Córdoba, esperamos tratar a Venezuela como sócio, que é o que o país passou a ser, ao assinar o protocolo de adesão - disse o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior, Mário Mugnaini.
País não pode fechar acordos separadamente
A curto prazo, o Mercosul veste uma roupagem mais política com o ingresso dos venezuelanos. A partir de agora, a Venezuela não pode mais firmar acordos comerciais separadamente do bloco. Suas propostas têm de ser as mesmas enviadas pelo Mercosul nas negociações com a União Européia e sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
A Venezuela também tem prazos a cumprir. Até 2010, o país estará em regime de total liberalização comercial com Brasil e Argentina. Com Uruguai e Paraguai, até 2014.
O cientista político José Alves Donizete acredita que o ingresso da Venezuela - país que, segundo ele, mais investe na América Latina - abre a perspectiva de nova ampliação do Mercosul nos próximos anos.