Título: INDÚSTRIA NACIONAL REAGE E ATINGE NÍVEL HISTÓRICO
Autor: Cássia Almeida
Fonte: O Globo, 07/07/2006, Economia, p. 29

Produção cresceu 1,6% em maio sobre abril, no melhor resultado do ano, e 4,8% em relação ao mesmo mês de 2005

RIO e BRASÍLIA. Depois de quatro meses seguidos de estagnação, a produção industrial brasileira reagiu com força em maio, com alta de 1,6% frente a abril, a ponto de ultrapassar o pico histórico de dezembro do ano passado. Em relação a maio de 2005, a expansão foi de 4,8%. Os números da indústria, divulgados ontem pelo IBGE, mostram que a produção avançou 3,3% de janeiro a maio e acumula alta de 2,6% nos últimos 12 meses, comportamento bem superior ao esperado pelos analistas. Eles previam alta para o mês entre 0,7% e 1%.

¿ A alta foi puxada pelo mercado interno, favorecido pelo aumento da renda do trabalhador, o crédito e a queda progressiva dos juros ¿ explicou Silvio Sales, coordenador de Indústria do instituto.

Segundo o economista do IBGE, o crescimento foi espalhado pela indústria, principalmente de matérias-primas e insumos. Isso sugere que houve uma regularização no estoque, refletindo encomendas de setores de bens finais.

A avaliação de Sales se baseia no desempenho de dois importantes setores da indústria: bens intermediários, cuja produção subiu 1,9% no mês frente a abril; e de bens de capital (máquinas e equipamentos), com avanço de 1,8%. São dois segmentos que produzem para a indústria, por isso a expectativa de que as encomendas de outros ramos estejam ativando essas categorias da indústria.

A reação dos bens intermediários, que são 60% da produção e reúnem mineração, extração e refino de petróleo, embalagens e outros insumos, veio após uma estagnação presente desde meados de 2004.

¿ Foi uma expansão significativa. A greve na Receita Federal e na Anvisa pode ter levado à substituição de importados, contribuindo também para esse avanço ¿ disse Estêvão Kopschitz, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Para a economista-chefe da gestora de recursos Mellon Global, Solange Srour, os dados de maio da produção indicam crescimento forte do investimento na economia.

¿ Na divulgação do PIB (Produto Interno Bruto, conjunto das riquezas geradas no país) do segundo trimestre, veremos o investimento reagir, sustentado também pela construção civil ¿ afirmou Solange.

Mas ela acredita que a produção vai recuar em junho. A redução na produção de carros em junho é o primeiro sinal desse arrefecimento:

¿ Estamos projetando queda de 0,5% frente a maio.

Mantega comemora e prevê avanço de 4% do PIB

Além da greve da Receita, que prejudicou as compras no exterior de componentes de celulares, a importação está por trás da queda de 0,8% na produção de bens duráveis (automóveis, eletrodomésticos e outros).

¿ A média diária de importações de duráveis cresceu 49% ¿ disse Sales.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comemorou o crescimento da produção, por reforçar a idéia de que o PIB poderá crescer 4% em 2006. Ele destacou o aumento da produção de bens intermediários e de capital:

¿ Significa que as empresas estão investindo mais no país.

COLABOROU Martha Beck