Título: GRÃ-BRETANHA LEMBRA MORTOS DE 7 DE JULHO
Autor: Helena Celestino
Fonte: O Globo, 08/07/2006, O Mundo, p. 32

País pára em homenagem aos 52 mortos e chefe da polícia alerta para novos ataques

LONDRES. Os sinos das catedrais dobraram, milhares de flores foram depositadas perto dos locais onde a morte chegou sem avisar, e o país mergulhou em dois minutos de silêncio profundo ao meio-dia para lembrar as vítimas do terror. Ontem, um ano após os atentados que espalharam medo e pânico no sistema de transporte urbano de Londres, milhões de ingleses, galeses, escoceses, norte-irlandeses e imigrantes pararam seus afazeres por alguns instantes para renderem tributo aos 52 mortos e quase 800 feridos no maior ataque terrorista já realizado na capital britânica.

Rainha Elizabeth II vai a missa em catedral na Escócia

Durante a homenagem, o comissário da polícia londrina, Ian Blair, advertiu que a capital britânica deve esperar outro ataque e afirmou que três atentados já foram impedidos.

¿ Neste exato momento há pessoas no Reino Unido planejando novas atrocidades ¿ alertou ele na rádio BBC, sem esclarecer se se referia a alguma ameaça específica.

As cerimônias começaram de manhã com o prefeito de Londres, Ken Livingstone, e a ministra da Cultura, Tessa Jowell, colocando flores da estação de King's Cross às 8h50m, a hora exata das três explosões no metrô londrino. Os sinos da Catedral de St. Paul lembraram o momento dos ataques, ocorridos perto das estações de Aldgate e Edgware Road e entre as estações de King¿s Cross e Russell Square. Uma hora depois, tocaram novamente para marcar o momento da quarta explosão num ônibus em Tavistock Square. Placas memoriais foram descerradas nos quatro locais.

¿ É uma oportunidade para toda a nação se unir e oferecer conforto e apoio àqueles que perderam seus entes queridos ou foram feridos naquele terrível dia ¿ disse o primeiro-ministro Tony Blair.

O ponto culminante dos serviços memoriais ocorreu no Regent¿s Park, onde familiares leram poemas e foram cantadas músicas dedicadas às vítimas. Em Edimburgo, a rainha Elizabeth II compareceu a uma missa na Catedral de St. Gilles, onde os sinos tocaram ao meio-dia, e o arcebispo de York, John Sentamu, rezou pelas vítimas e por suas famílias ao abrir um encontro do sínodo-geral da Igreja Anglicana. Já o ministro-chefe do País de Gales, Rhodri Morgan, enviou uma carta de condolências ao prefeito de Londres em nome da população galesa.

Membros da comunidade muçulmana ¿ à qual pertenciam os quatro terroristas ¿ também prestaram homenagem às vítimas.

¿ Esperamos que os britânicos não voltem a ver nunca mais esses atos terríveis cometidos em nosso país ¿ disse, num centro islâmico em Londres, Kumrul Hassan, tio de Shahara Islam, morta no ônibus em Tavistock Square.

Zawahri: dois terroristas foram treinados pela al-Qaeda

Até hoje não foi feito nenhum inquérito público sobre os atentados, o que levou a muitas críticas ao governo, inclusive ontem por parte de membros da comunidade muçulmana, que dizem querer ter um quadro completo dos atentados, incluindo as motivações dos quatro terroristas que perpetraram os ataques.

Num vídeo divulgado ontem ¿ o segundo em dois dias ¿ o lugar-tenente de Osama bin Laden, o egípcio Ayman al-Zawahri, disse que dois dos atacantes suicidas de Londres receberam treinamento num campo da rede terrorista. Tanto Shehzad Tanweer quanto Mohammad Sidique Khan eram provenientes da cidade inglesa de Leeds, de onde saiu também um terceiro terrorista. O quarto era um jamaicano convertido ao islamismo.