Título: AVANÇO COM CRISE NAS METRÓPOLES
Autor: Cássia Almeida
Fonte: O Globo, 09/07/2006, Economia, p. 34

O crescimento da classe média é inegável, inclusive atestado pelas Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios (Pnads), do IBGE, mas o motivo da expansão muda, conforme se traça um contorno geográfico. André Urani, professor da UFRJ e diretor do Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade (Iets), debruçou-se sobre os números da divisão da renda e constatou: a redução significativa da indigência e da pobreza engrossou a parcela da classe média baixa no Brasil como um todo.

Mas o mesmo não aconteceu quando se olha apenas o Brasil metropolitano. Nos grandes centros, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, a classe média mais baixa engrossou com a perda de renda das camadas superiores:

¿ O crescimento não foi virtuoso como no resto do país. Veio do achatamento de classes mais altas ¿ disse Urani.

O papel de motor do desenvolvimento assumido nos anos 80 pelas regiões metropolitanos foi abandonado:

¿ A locomotiva emperrou. Reduziu pouco a pobreza e a crise é estrutural.

A melhoria no mercado de trabalho nas metrópoles, detectada pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, não mudará essa situação:

¿ Rio e São Paulo são pacientes terminais. Pequenas melhoras não vão alterar esse quadro de degradação ¿ disse Urani. (Cássia Almeida)