Título: BRASIL NUNCA VENDEU TANTA CARNE: US$1,7 BI NO ANO
Autor: Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 11/07/2006, Economia, p. 21
Resultado do 1º semestre é o maior da história e representa alta de 16,24% sobre o mesmo período de 2005
SÃO PAULO e BRASÍLIA. As exportações brasileiras de carne bovina somaram US$1,716 bilhão no primeiro semestre deste ano, um novo recorde para o período, com crescimento de 16,24% em relação a 2005. O volume embarcado também foi o maior da história do país ¿ 1,157 milhão de toneladas ¿ embora a variação sobre o ano passado tenha sido de apenas 0,54%.
A pequena variação de volume tem a ver com o embargo, total ou parcial, estabelecido por 56 países depois do registro de febre aftosa em rebanhos no Mato Grosso do Sul e no Paraná. Em compensação, isso mexeu com a oferta e o preço do produto no mercado internacional.
Hoje, o Brasil tem posição de destaque (e influência) no setor. Suas exportações anuais chegam a 2,3 milhões de toneladas, mais do que Austrália e Argentina juntas (que aparecem em segundo e terceiro lugares no ranking, com 1,9 milhão de toneladas). De cada três quilos de carne bovina exportadas no mundo inteiro, um quilo tem em sua embalagem o selo ¿made in Brazil¿.
Pratini diz que `Brasil tem um pouquinho de babacas¿
Esses dados foram divulgados ontem pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). O presidente da entidade, o ex-ministro Marcus Vinícius Pratini de Moraes, prevê que o país perderá este ano US$1,5 bilhão com o embargo a suas exportações. Nesta conta, entram sobretudo as barreiras sanitárias, mas os produtores brasileiros também sofrem com a imposição de tarifas especiais ¿ que no caso da Europa podem chegar a 176% por tonelada embarcada.
A previsão é fechar 2006 com aumento entre 15% e 20% na receita com exportações e de 5% no volume embarcado.
Para Pratini, o Brasil deveria embargar a importação de produtos originados de países que não aceitam a carne brasileira. Ele acusa o governo federal de agir com demora nessa briga comercial.
¿ Deveríamos adotar a lei do toma-lá-dá-cá. Só compro de quem compra a minha carne, só baixo imposto dos países e reduzem imposto para o Brasil. Mas o Brasil tem um pouquinho de babacas, babaquice seria a palavra que deveria usar para isso ¿ afirmou Pratini, ex-ministro da Agricultura.
Perguntado sobre quem seriam os ¿babacas¿, ele fugiu da resposta. Mas continuou nos ataques ao governo:
¿ Numa economia não se pode meter política ou ideologia. Senão, você perde sempre. Temos de ser vendedores, negociadores.
Os empresários do setor também se queixam da valorização do real frente ao dólar. Segundo ele, a alta de preço da carne no mercado internacional ¿ entre 12% e 33%, este no caso dos produtos industrializados ¿ não foi suficiente para compensar a perda com o câmbio, que acumulou desvalorização de 24% no período.
Pratini acredita no fim progressivo do embargo à carne brasileira. Alguns países já deram sinais recentes neste sentido, caso de Chile e Rússia. A Rússia é o maior importador individual do Brasil, com 148.825 toneladas no primeiro semestre, o que correspondeu a uma receita de US$212,6 milhões.
Europa manterá importações de aves brasileiras
De janeiro a junho deste ano, o Brasil exportou US$300 milhões em carne de frango in natura e industrializada para a União Européia. No mesmo período, foram vendidos ao bloco US$212.100 em animais vivos (galinhas e galos para reprodução). Já os embargos à carne bovina partiram de todo o mundo.
Ontem o Ministério da Agricultura disse que a Comissão Européia de Saúde e Proteção do Consumidor afirmou que continuará com as importações de aves brasileiras. As providências adotadas para isolar o foco da doença de Newcastle no Rio Grande do Sul foram satisfatórias para garantir a segurança das exportações, disse o documento.
COLABOROU Eliane Oliveira