Título: SALDO COMERCIAL DA CHINA AUMENTOU 55% ESTE ANO
Autor: Eliane Oliveira
Fonte: O Globo, 11/07/2006, Economia, p. 21

Com superávit histórico de US$14,5 bilhões em junho, cresce pressão por mudança cambial

PEQUIM. O Ministério do Comércio da China informou ontem que o superávit comercial do país bateu novo recorde histórico em junho, atingindo US$14,5 bilhões, US$1,5 bilhão acima do resultado de maio, que já havia sido recorde. O superávit de junho eleva o saldo comercial acumulado do país a US$61,5 bilhões, 55% acima do resultado registrado no mesmo período do ano passado, indicando que o saldo total do ano deverá ultrapassar a marca recorde de US$100 bilhões obtida em 2005.

Os resultados do comércio exterior chinês vão aumentar as pressões de metade do planeta, Estados Unidos à frente, para que o Banco Popular da China, o BC chinês, deixe flutuar mais livremente o yuan. As exportações chinesas subiram 23,3% em junho, alcançando US$81,3 bilhões, enquanto as importações subiram 18,9%, ficando em US$66,8 bilhões.

Mas o governo da China continua firme no seu propósito de segurar a valorização de sua moeda, por temer que uma apreciação muito rápida do yuan possa pôr um freio no crescimento do país ao encarecer os produtos exportados. A maior prova disso é que o próprio Ministério do Comércio anunciou ontem que vai calibrar a lei que instituiu, entre os exportadores chineses de tecidos e roupas, um sistema de cotas.

A idéia é evitar que alguns produtores burlem o sistema triangulando a venda de têxteis com regiões autônomas ou independentes da China, como Hong Kong ou Taiwan. Os limites foram estabelecidos pelos próprios chineses em negociações bilaterais com EUA, União Européia e Brasil, a fim de evitar que estes países instituíssem salvaguardas e outras barreiras que pudessem prejudicar mais as vendas do país, depois do término do sistema mundial de cotas estabelecido pela Organização Mundial do Comércio (OMC).