Título: EM ENCONTRO DO G-8, LULA SE REUNIRÁ COM BUSH PARA TENTAR AVANÇO NA OMC
Autor: Eliane Oliveira
Fonte: O Globo, 11/07/2006, Economia, p. 21

Na Rússia, presidente também quer divulgar produção de energia renovável

BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já agendou uma conversa com seu colega americano, George W. Bush, para a próxima segunda-feira, último dia da reunião do G-8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo, além da Rússia) na cidade russa de São Petersburgo. Convidado, assim como líderes de outros países em desenvolvimento, para participar do encontro do G-8, Lula tentará, em reuniões paralelas, convencer os dirigentes das nações desenvolvidas a darem um impulso político à Rodada de Doha. O presidente, que vai à Rússia acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, quer destravar as negociações paralisadas na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Além da Rodada de Doha, Lula vai a São Petersburgo interessado no tema principal da reunião do G-8: o debate sobre alternativas energéticas no mundo. O presidente vai aproveitar e divulgar a produção brasileira de energia renovável, que leva em conta a preservação do ambiente: etanol, agroenergia e um leque amplo na área de biodiesel, que serviriam para reduzir a grande dependência do petróleo pelos países industrializados.

EUA estão entre os países mais resistentes a um acordo

Lula chega a São Petersburgo sábado. Domingo de manhã, ele se reunirá com líderes dos países em desenvolvimento. A relação com os países desenvolvidos e a elaboração de uma estratégia para convencer as nações mais ricas a não desistirem de Doha estão na pauta. Na parte da tarde, haverá encontros bilaterais que ainda estão sendo costurados pelo Palácio do Planalto. Estão praticamente certas conversas com os presidentes do México, Vicente Fox, e da Rússia, Vladimir Putin.

Na segunda-feira de manhã, o presidente do Brasil participa, como convidado, da reunião do G-8. Caso não consiga um encontro paralelo de líderes para discutir a OMC, Lula tentará emplacar o tema na ocasião. Para isso, pedirá o apoio de Bush no encontro reservado, provavelmente de tarde.

Embora tenham demonstrado interesse em discutir Doha em São Petersburgo, os EUA estão entre os que mais resistem a um acordo. Os americanos afirmam que não vão reduzir os subsídios domésticos concedidos aos produtores agrícolas.