Título: EM SP, SÓ 500 VAGAS ABERTAS EM JUNHO
Autor: Fabiana Ribeiro
Fonte: O Globo, 12/07/2006, Economia, p. 26

Emprego industrial tem pior resultado do ano e Fiesp alerta para desaceleração

SÃO PAULO. O emprego entrou em rota de desaceleração na indústria paulista, a despeito dos sinais de forte atividade em alguns setores. Pesquisa divulgada ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostrou variação de 0,02% do nível de emprego em junho, depois de ter atingido 1,92% em abril e 0,7% em maio. O resultado, que correspondeu à abertura de apenas 500 postos de trabalho, foi o pior registrado este ano. No acumulado do primeiro semestre, o emprego teve crescimento de 3,65%, com um total de 75 mil vagas na indústria.

Na avaliação da Fiesp, setores que têm apresentado melhor desempenho industrial, como o extrativo, empregam muito menos do que o segmento da indústria de transformação, que, com a valorização do real em relação ao dólar, estaria perdendo mercado e competitividade para os produtos importados.

- O resultado da pesquisa de junho confirma o sinal de alerta que já havia aparecido em maio. Agora, o sinal amarelo está alaranjando, tendendo ao vermelho - afirmou o diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini.

PIB da indústria deve ficar abaixo do geral, diz diretor

Francini prevê que o emprego industrial no país deve fechar o ano "com pobreza", apresentando variação em torno de 2%. Paralelamente, a Fiesp reduziu sua estimativa para o PIB industrial, de 6% para cerca de 3% - abaixo das previsões para o próprio Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de riquezas produzida no país) nacional, entre 3,5% e 3,8%.

- Será um ano atípico, em que o PIB industrial crescerá abaixo do PIB geral. Isso vai acontecer porque parte da produção interna está sendo roubada pelas importações - disse o diretor da Fiesp.

Pela primeira vez no ano, o número de setores com estabilidade do nível de emprego ou que fizeram demissões foi maior do que os que ampliaram seu quadro de funcionários. Dos 21 segmentos avaliados pela Fiesp, seis contrataram mais em junho, nove aceleraram os cortes de pessoal e em seis houve estabilidade do emprego. A maior demissão em termos percentuais ocorreu em preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos de viagem e calçados, com queda de 1,89%.

Francini criticou as avaliações "muito positivas" sobre os dados mais recentes de atividade industrial divulgadas pelo IBGE, que apontariam um cenário de crescimento acelerado da economia.

- Acho que foram interpretações precipitadas. E a variação recente do emprego mostra que só uma parte da economia, aquela que depende dos preços no mercado externo, é que continua a ganhar terreno.