Título: DEPUTADOS DA MESA SERÃO PROCESSADOS
Autor: Evandro Éboli
Fonte: O Globo, 13/07/2006, O País, p. 13
Partidos representaram contra Capixaba e Caldas no Conselho de Ética
BRASÍLIA.Insatisfeitos com o mero afastamento de Nilton Capixaba (PTB-RO) e João Caldas (PL-AL) da Mesa Diretora da Câmara, PSOL, PV e PPS entraram ontem com uma representação contra os dois no Conselho de Ética . Querem que eles deixem de integrar esse colegiado e também percam os mandatos por quebra de decoro parlamentar. Esses partidos acusam os dois de terem se beneficiado, cada um, de R$50 mil do esquema da compra de ambulância superfaturadas com emendas parlamentares. Os nomes e os valores apareceram no livro-caixa da Planam, empresa responsável pelo esquema que gerou a máfia dos sanguessugas.
Inconformado com as investigações, Nilton Capixaba entrou ontem com dois mandados de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo providências contra atos supostamente ilegais do diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, do delegado federal Tardelli Boaventura, que dirige a operação, e contra o presidente da CPI das Sanguessugas, Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ).
No outro mandado, o deputado afastado da Mesa pede a concessão da segurança para que a Polícia Federal e Tardelli evitem o vazamento das gravações que o incriminam. Mais: ele pede que seja determinado o fornecimento ao Supremo de todas as gravações feitas sem autorização ¿para que sejam destruídas como meio de prova obtido ilegalmente¿.
Ontem mesmo o presidente do Conselho, Ricardo Izar(PTB-SP) nomeou o deputado Nélson Trad(PMDB-MS) como relator do caso João Caldas.
Dificilmente os processos contra os dois serão votados este ano. Além do período eleitoral, os prazos para apresentação de defesa e de recursos são contados com sessões no plenário. Haverá dificuldade de quórum. Cada processo contra os acusados de envolvimento no mensalão, por exemplo, durou, em média, quatro meses. Mas os processos não são arquivados com o fim da legislatura. Caso sejam reeleitos, Capixaba e Caldas correm o risco de perder o mandato no início do ano que vem.
O relator do caso que envolve Capixaba ainda será escolhido. Do conselho, as representações seguiram para a Mesa da Câmara, que numera e os reenvia para o colegiado. A partir daí, conta-se cinco sessões para que os parlamentares apresentem sua defesa. Mas, antes disso, é preciso que sejam notificados. Essa será outra dificuldade e que atrasará ainda mais a tramitação dos processos.
Serys nega envolvimento com a máfia
Citada nos depoimentos de anteontem como suposta beneficiária do esquema, a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) defendeu-se ontem em discurso no plenário do Senado. A senadora, que obteve o apoio de vários senadores, disse que estava estarrecida com o vazamento das informações sigilosas.
¿ Não admito meu nome em boca de bandido ¿ disse a senadora, que é candidata ao governo de Mato Grosso.