Título: TRIBUNAIS, DEFEITINHOS E `AIRBAG¿
Autor: Da Bloomberg News
Fonte: O Globo, 13/07/2006, Economia, p. 29
Gigante do software foi processada por países e empresas
Não há dúvida: o departamento jurídico da Microsoft está sempre atarefado. Nem tanto por aqui, onde eventuais ações prejudiciais à concorrência ¿ e ao consumidor ¿ parecem ser relevadas pela maioria. Mas lá fora a história é diferente. EUA e Coréia do Sul são dois países que já processaram a gigante, entre outros. Muitas empresas também levaram-na aos tribunais: IBM, Sun, Real Networks...
O motivo de tanta encrenca é basicamente o seguinte: a empresa perdeu a noção de limites. Faz o quer. Atropela o mercado, é boa de marketing e, pelo menos até os anos 90, andou dispensando as etiquetas da concorrência leal. Pior de tudo: a Microsoft é uma empresa respeitada que, entretanto, nem sempre trata como deveria da qualidade dos produtos. Sabe disso qualquer usuário do Windows, presente em mais de 90% dos computadores do planeta. Suas falhas de segurança são fonte de preocupação dos administradores de redes e a alegria das fabricantes de antivírus. Quase toda semana, a própria empresa anuncia correções para essas falhas. E o consumidor tem o trabalho constante de atualizar o produto pelo qual pagou caro ¿ não por causa de novas funcionalidades, mas porque esse produto saiu da fábrica com defeitinhos...
Já é clássica a historinha (provavelmente inverídica) comparando a Microsoft à GM. Diz que Bill Gates teria afirmado que ¿se a GM tivesse evoluído tecnologicamente tanto quanto a indústria de computadores, estaríamos dirigindo carros de US$25, que fariam 400 quilômetros por litro¿. A GM teria respondido que problema seria se a Microsoft fabricasse carros. Durante um acidente, o sistema de airbag perguntaria: ¿Você tem certeza de que quer usar o airbag?¿. Qualquer usuário dos programas sabe a que a GM se referia.