Título: ONG LIGADA A PARENTES DE PRESOS DA FACÇÃO CRIMINOSA FAZ AMEAÇAS
Autor: Joao Sorima Neto
Fonte: O Globo, 14/07/2006, O País, p. 4
Entidade diz que atentados continuarão se situação nas cadeias não melhorar
SÃO PAULO. O presidente da ONG Nova Ordem, Ivan Raymondi Barbosa, disse ontem que enquanto as autoridades não resolverem problemas graves nas cadeias de São Paulo o estado continuará sofrendo ataques do crime organizado. A ONG é ligada a famílias de presos da facção criminosa de São Paulo que comanda os atentados no estado.
Segundo Ivan Barbosa, os presos reclamam de tortura, falta de médicos e de infra-estrutura. Ele disse que desde maio, na primeira onda de atentados contra forças de segurança, os presos passaram a ser torturados e ficaram sem atendimento médico.
¿ Recebemos essas denúncias de familiares e era previsível que a violência voltaria. Somos contra esses ataques, mas também somos contra a tortura que os agentes vêm impondo aos presos nos últimos meses. Enquanto essa situação não mudar, creio que os atentados vão continuar ¿ disse Ivan, que é ex-policial civil.
Em maio, os ataques foram suspensos depois que uma integrante da Nova Ordem, a advogada Iracema Vasciaveo, visitou o preso Marcos Camacho, o Marcola, no presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes. A advogada nega ter facilitado a conversa entre os criminosos e autoridades da Segurança Pública num suposto acordo para cessar os atentados.
Ivan disse que mulheres e mães de presos, de 18 a 70 anos de idade, estão sendo constrangidas pelos agentes durante a revista nas visitas. Ele disse que em alguns casos elas são apalpadas para verificar se carregam drogas ou celulares para dentro dos presídios.
Em Presidente Venceslau, Ivan disse ter recebido denúncias de parentes de presos da P-2 que receberam comida com cacos de vidro. No presídio de Ribeirão Preto, as denúncias são de espancamento. Segundo os relatos, diz ele, até tiros foram dados. No Centro de Detenção Provisória de Mogi das Cruzes, vidro e arames também foram encontrados na comida dos presos.
¿ Em algumas unidades, isso já foi resolvido. Em outras, continua acontecendo ¿ diz Ivan.
Para ele, a Secretaria de Administração Penitenciária está sendo burocrática na solução dos problemas:
¿ Há situações, como agora, em que não se pode esperar por licitação ou cair na burocracia. As providências devem ser tomadas o mais rapidamente possível ¿ disse.