Título: MERCADANTE USA ATAQUE NA CAMPANHA
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Fonte: O Globo, 14/07/2006, O País, p. 12

Candidato petista vai a missa em memória de agentes assassinados

SÃO PAULO. Apesar de afirmar que a onda de terror deve ser tratada de forma suprapartidária, o candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, voltou a relacionar os 12 anos de gestão do PSDB à crise de segurança. Ontem a agenda de campanha do petista teve como tema a segurança em São Paulo.

De manhã, ao participar da missa organizada pelo sindicato dos agentes penitenciários (Sifusesp) em memória dos 15 colegas mortos, Mercadante afirmou que as autoridades paulistas subestimam a facção criminosa que comanda os ataques:

¿ Um dos erros cometidos é subestimar o crime organizado. Primeiro, as autoridades diziam que a facção não existia, que era invenção da imprensa. Depois disseram que havia sido destruída. Agora dizem que está sob controle. Não é o que está acontecendo. Temos de assumir que é uma situação muito difícil.

O petista passou por um constrangimento durante a missa, quando o secretário-geral do Sifusesp, Antonio Ferreira, afirmou que são paliativas medidas como a liberação do porte de arma para agentes fora do horário de trabalho, pedido encaminhado à PF por Mercadante.

O candidato defendeu a compra de armas pelo estado para serem usadas pelos agentes.

¿ O governo é que tinha que oferecer armas. Não tem sentido que (os agentes) tenham que gastar do próprio bolso.

Petista se irrita com Bornhausen

Mercadante se irritou ao comentar as afirmações do presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), de que há relação de seu partido com a facção criminosa.

¿ A declaração do senador Bornhausen não merece nem comentário. É uma atitude tão pequena diante de uma situação tão grave ¿ afirmou.

No fim da tarde Mercadante visitou a Penitenciária 2 de Hortolândia, na região de Campinas, e recebeu um manifesto dos funcionários, que fazem protesto contra a onda de violência.

Já o candidato do PMDB, Orestes Quércia, cancelou o encontro que teria com líderes políticos do diretório do partido na Cidade Ademar, na Zona Sul da capital, por estar preocupado os ataques do crime organizado em São Paulo.

O encontro seria às 11h e a agenda previa ainda a visita à Sociedade Amigos de Vila Joaniza e a uma creche no mesmo bairro. Segundo a assessoria de imprensa de Quércia, ele cumpriu apenas os compromissos internos do PMDB.

Outro motivo apresentado pelo candidato para o cancelamento da agenda de ontem foi o trânsito da cidade.