Título: NO BRASIL, BOVESPA RECUA 2,42% E DÓLAR VAI A R$2,22
Autor: Patricia Eloy e Fabiana Ribeiro
Fonte: O Globo, 14/07/2006, Economia, p. 27

Efeitos no mercado brasileiro foram menores que em outras nações emergentes, mas risco-país subiu 3,25%

A escalada da tensão no Oriente Médio e o novo recorde na cotação do petróleo também pesaram ontem sobre os negócios no mercado financeiro brasileiro. Entretanto, o Brasil foi o que menos sofreu entre os principais países emergentes. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanhou as bolsas internacionais e fechou em forte queda de 2,42%. Já as bolsas argentina, russa e chinesa enfrentaram perdas de 3,37%, 4,07% e 4,84%, respectivamente.

O dólar subiu 0,86%, encerrando os negócios cotado a R$2,22. Na máxima do dia, a moeda foi negociada a R$2,225, em alta de 1,09%. O Global 40, título mais negociado do Brasil no exterior, caiu 0,56%, para 124,8% do valor de face. Já o risco-Brasil, indicador da confiança dos investidores estrangeiros no país, avançou 3,25%, para 254 pontos centesimais.

Em outros países emergentes, o impacto da alta do petróleo e dos bombardeios de Israel no Líbano foi maior. Na Turquia, a alta do risco foi de 6,67% e, na Colômbia, de 6,96%.

¿ O Brasil está sendo menos afetado do que os demais porque o país melhorou seus fundamentos macroeconômicos, reduzindo, por exemplo, seu endividamento em dólares. Num cenário como o atual, em que a moeda americana dispara em meio a tensões, o país acaba sofrendo menos ¿ avalia Marcelo Mesquita, estrategista do banco UBS.

Em todos os mercados, o ponto em comum foi a redução da liquidez devido ao aumento da incerteza global. A Bovespa, por exemplo, negociou R$1,4 bilhão ontem, bem abaixo da média de R$2,24 bilhões de junho. O mesmo ocorreu nos Estados Unidos. Na bolsa eletrônica Nasdaq, o volume de negócios ficou ontem 15% abaixo do registrado em junho. No índice S&P 500, a queda foi de 10%.

Inflação pelo IGP-M recua para 0,17% em prévia deste mês

A primeira prévia do IGP-M de julho, da Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou variação de 0,17% -¿ abaixo dos 0,27% do mesmo período de junho. Os preços do atacado, que representam 60% da taxa, subiram 0,28%, repetindo o desempenho do mês passado. O índice para o consumidor (IPC), 30% do IGP-M, acelerou no primeiro decêndio do mês: de -0,33% para -0,28%. Os alimentos pressionaram a taxa. O custo da construção, por sua vez, ficou em 0,59%, após alta de 1,80%.

¿ Os bons preços para o consumidor devem continuar ¿ disse João Gomes, economista do Instituto Fecomércio-RJ.

PETROBRAS RESISTE A REAJUSTE DO GÁS DA BOLÍVIA, na página 28