Título: Se houver outro alvo, é a Síria¿
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Fonte: O Globo, 14/07/2006, O Mundo, p. 36
Para o professor de ciência política da Universidade de Bar-Ilan, em Tel Aviv, os ataques de Israel terão graves conseqüências para o país e podem levar a um conflito regional.
O senhor acha que os ataques de Israel ao Líbano podem se transformar num conflito regional?
HILLEL FRISCH: Certamente. As ações militares de Israel terão conseqüências graves, a curto e a longo prazo, e um dos riscos é o surgimento de uma guerra regional. A postura israelense ao desrespeitar a fronteira sul do Líbano, a chamada linha azul determinada pela ONU, lembra muito as ações das décadas de 60, 70 e 80. Mas o mundo não é mais o mesmo daquela época e a reação internacional a esta atitude, mesmo sem o aval dos Estados Unidos, deve ser mais dura. O relacionamento com países árabes deve se deteriorar ainda mais. Outro problema é que Israel transformou dois conflitos em um só: o contra o Hamas, em Gaza, e o contra o Hezbollah. Isso fortalece a voz dos que dizem que se trata de uma guerra de Israel contra os árabes.
Na sua opinião, Israel pretende somente pressionar para a libertação dos soldados ou dessa vez pretende destruir toda a infra-estrutura do Hezbollah?
FRISCH: Será muito difícil para Israel destruir toda a estrutura do Hezbollah com ataques aéreos e navais. Para isso, seria necessária uma intervenção por terra, o que pode ter graves e sangrentas conseqüências. Quanto ao Hamas, sem dúvida, o objetivo de Israel é destruir totalmente o grupo. O temor é que o governo israelense decida destruir o Hamas e o Hezbollah de uma só vez, atuando em Gaza, no Líbano e na Síria.
Então a Síria pode ser o próximo alvo?
FRISCH: Se houver outro alvo, é a Síria. Mas tudo vai depender dos acontecimentos das próximas horas, ou dias. Os Estados Unidos, discretamente, simpatizam com a idéia de uma intervenção na Síria, e isso pode fortalecer essa hipótese. Mas não podemos esquecer outros perigos. Se os soldados seqüestrados forem para o Irã, por exemplo, este país pode perigosamente ser envolvido no conflito. A questão nuclear faz com que um confronto com o Irã seja inevitável, se nada mudar. A questão é se vai acontecer agora ou um pouco mais tarde.