Título: Talvez o Irã seja atacado¿
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Fonte: O Globo, 14/07/2006, O Mundo, p. 36

BERLIM. Salah Shafi, representante da Autoridade Nacional da Palestina em Estocolmo, disse que vê o risco de Israel aproveitar o conflito atual para atacar também a Síria e o Irã.

Há perigo da extensão do conflito a outros países da região?

SALAH SHAFI Nenhum país tem interesse em entrar num conflito com Israel, a não ser que seja atacado. As ameaças de Israel contra a Síria são cada vez mais ruidosas. Se Israel atacar o país, Damasco entrará na guerra. Talvez Israel aproveite o conflito já existente para atacar também o Irã. Os países árabes que não forem atacados não vão interferir para ajudar Líbano ou Síria, porque não têm interesse em participar de um conflito militar.

O conflito atual pode despertar uma nova onda de terrorismo?

SHAFI: Evidentemente! Quanto maior o conflito no Oriente Médio, maior o potencial de terrorismo. Uma resolução do conflito de forma justa é o principal meio de combater o terror.

Há uma aliança entre o Hezbollah e o Hamas?

SHAFI: Não há uma aliança política. O Hezbollah quer a desocupação de parte do Líbano que continua ocupada por Israel. O líder do Hezbollah disse ontem que se Israel desocupar o Líbano e libertar os presos libaneses, não terá mais motivos para os ataques. O Hamas é um movimento de resistência com o direito de realizar ações contra Israel enquanto a Palestina continuar ocupada. São parecidos mas não ligados um ao outro.

O Hamas estaria disposto a libertar o soldado israelense em seu poder para tornar possível uma negociação?

SHAFI: O seqüestro do soldado israelense na Faixa de Gaza ocorreu como conseqüência dos ataques repetidos de Israel contra os civis palestinos. A espiral de violência começou a explodir há dois meses. Nos últimos dois meses foram mortos 58 palestinos só na Faixa de Gaza, entre eles 18 crianças. O Hamas quer libertar o soldado israelense como parte de uma negociação para a libertação dos prisioneiros palestinos por Israel. Atualmente, há dez mil palestinos nas prisões israelenses, entre eles 400 mulheres e jovens de menos de 18 anos. O Hamas exige que Israel liberte imediatamente pelo menos as mulheres e as crianças. Para isso, o Hamas estaria disposto a um cessar-fogo imediato.