Título: POLICIAIS À PAISANA VIGIAM COLETIVOS
Autor: Adauri Antunes Barbosa
Fonte: O Globo, 15/07/2006, O País, p. 8

Passageiros e motoristas aprovam medida, apesar de temer troca de tiros

SÃO PAULO. A Polícia Militar de São Paulo botou patrulhas nos principais terminais de ônibus e homens à paisana nos coletivos. Com isso, o sistema de transportes voltou a funcionar normalmente ontem, um dia depois da paralisação de 85% da frota, que deixou 2 milhões de paulistanos sem ônibus. Os passageiros, motoristas e cobradores aprovaram a presença de policiais à paisana dentro dos coletivos, mas estão apreensivos.

¿ Preciso andar de ônibus e não tenho medo. Só temo se houver PMs disfarçados porque, se algo acontecer, eles vão querer trocar tiros ¿ disse a encadernadora de livros Maria Edna de Oliveira, de 53 anos.

Patrulhas fazem ronda em terminais e garagens

A prefeitura e a PM decidiram usar policiais à paisana dentro de mais de 50% dos 7.600 coletivos da capital desde ontem. O objetivo é evitar novos ataques de criminosos, que incendiaram mais de 60 ônibus em três dias.

Carros da Guarda Civil Metropolitana estão vigiando terminais e garagens. Nos terminais mais movimentados o efetivo chega a 12 homens e três carros. Policiais militares também estão acompanhando os coletivos nos principais eixos da cidade.

Apesar das medidas de segurança, o cobrador de ônibus Alberto Carlos Santos, de 38 anos, admite que tem medo. ¿ As autoridades demoram para tomar atitudes ¿ reclamou.

A costureira Francisca Francinete de Souza, de 42 anos, acredita que estará mais segura sem policial dentro dos ônibus:

¿ Eles (policiais e criminosos) vão trocar tiros e são duas gangues que não combinam.

Os terminais da Zona Leste também ganharam reforço na segurança. A Guarda Civil Metropolitana estava nos terminais A.E. Carvalho, São Mateus e Penha, relacionados pela prefeitura na quinta-feira como aqueles em que haveria aumento de segurança.

Três carros da Guarda Metropolitana vigiavam o Terminal João Dias, na Zona Sul, com nove homens que patrulhavam a área na manhã de ontem. No mesmo lugar, estava uma patrulha da Polícia Militar, com quatro homens que também realizavam o policiamento a pé. Os PMs contavam ainda com a ajuda de outros quatro policiais em motos que percorriam as vias do terminal lentamente.

Apenas a empresa Sambaíba, da Zona Norte, atrasou o início dos trabalhos. Na maior parte do dia o trânsito fluiu sem problemas. Às 19h, a cidade tinha 125 quilômetros de lentidão. A média no horário é de 152 quilômetros.