Título: POLÍCIA REAGE, PRENDE 68 E ATAQUES DIMINUEM
Autor: Adauri Antunes Barbosa
Fonte: O Globo, 15/07/2006, O País, p. 8
Cinco suspeitos morreram em confronto com policiais; em Santo André, um ônibus foi incendiado em plena tarde
SÃO PAULO. Só ontem, 72 horas depois do reinício da onda de atentados em São Paulo, a polícia começou a reagir com mais vigor às ações da organização criminosa e havia prendido até a noite de ontem 68 suspeitos. Até a noite da véspera, apenas seis pessoas tinham sido presas. Com a ação dos policiais, os ataques diminuíram drasticamente, embora ainda tenham acontecido em vários locais, como em Santo André, na região do ABC paulista, onde um ônibus foi incendiado por volta das 14h.
Diferentemente do primeiro grande ataque dos criminosos, em maio, quando 123 suspeitos foram mortos em confronto com policiais, desta vez apenas cinco suspeitos foram mortos pela polícia. Um deles estava atacando o supermercado Extra, no bairro da Penha, Zona Leste de São Paulo. Outro foi morto por policiais quando lançava um coquetel molotov contra uma agência do Banespa, em Itaquaquecetuba. O terceiro morreu ao tentar assaltar um policial militar em Taboão da Serra. Foram registrados também dois mortos em Osasco.
Na madrugada de ontem um grupo tentou atacar o prédio do 24º Distrito Policial, no bairro Ermelino Matarazzo, na Zona Leste da capital. Segundo testemunhas, os bandidos ocupavam um carro Fiat e, antes de fugirem, abandonaram um coquetel molotov em frente à delegacia. Alguns policiais viram os criminosos preparando o coquetel e saíram da delegacia. Dois suspeitos foram detidos.
Um dos mortos no confronto com policiais foi Gerson Barbosa Rafael. Armado com um revólver calibre 38 ele teria disparado quatro vezes contra os policiais antes de ser atingido na troca de tiros. Gerson era um dos três ocupantes de um Chevrolet Meriva abordados, por volta da 1h15m da madrugada de ontem, por policiais militares das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Segundo os PMs o grupo se preparava para atacar ou a base da PM ou a delegacia da cidade. Dois deles fugiram no carro. Gerson morreu no hospital.
Governo considera apenas 6 mortes
A maioria das 68 prisões, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, envolveu pessoas que estavam com materiais usados para incendiar ônibus em todo o estado, como galões de combustíveis, garrafas plásticas, armas e munições. Em Barrinha, a 353 quilômetros da capital, foram presos quatro homens que confessaram praticar atentado contra a casa de um PM, atear fogo no prédio da prefeitura e do Conselho Tutelar, incendiar dois caminhões e tentar incendiar o posto da Guarda Municipal.
Ainda em de Barrinhas outras cinco pessoas foram surpreendidas carregando 20 litros de gasolina e três coquetéis molotov. Um dos suspeitos é acusado de atacar a garagem da prefeitura, o que resultou no incêndio de dois ônibus.
Números oficiais da Secretaria de Segurança informavam ontem à tarde que havia 58 presos até às 4h40m. O número oficial de vítimas de seis pessoas, até as 15h de quinta-feira. Os dados oficiais consideram as mortes de um policial militar e sua irmã, executados na Zona Norte de São Paulo; três vigilantes particulares no Guarujá e um guarda municipal em Cabreúva. Não são computadas as mortes do ex-PM e segurança Ronaldo Luciano Belinazi, na capital; do agente penitenciário Abner Machado Silveira, de Campinas, e o filho de um policial em São Vicente, no litoral.