Título: VARIG QUER DEMITIR 9 MIL FUNCIONÁRIOS APÓS LEILÃO
Autor: Erica Ribeiro
Fonte: O Globo, 15/07/2006, Economia, p. 33
Justiça do Rio descarta retorno da Fundação Ruben Berta à gestão da empresa antiga, mesmo sendo dona de 87%
RIO e BRASÍLIA. A Varig quer demitir cerca de nove mil trabalhadores após o leilão de ativos. Segundo o advogado Otávio Neves, da associação Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), a companhia informou ontem a credores que 1.500 a dois mil trabalhadores irão para a nova Varig, que terá 13 aviões. Já a antiga empresa ¿ que não será vendida em leilão e ficará com a dívida de quase R$8 bilhões ¿ terá apenas 50 funcionários e um avião. Segundo o advogado, que calcula em 11 mil o número de trabalhadores da Varig (a empresa diz que são dez mil), na proposta não estão previstos o custo da rescisão e quem pagará.
Já o possível retorno da Fundação Ruben Berta (FRB) ao poder, que entrou na discussão da reunião dos credores ontem e anteontem, foi descartado pela Justiça do Rio. A Justiça disse que apesar de ser dona das ações, a FRB não tem poder de gestão na Varig e depois do leilão também não terá voz na antiga Varig, que permanecerá em recuperação judicial por dois anos. Anteontem, a Varig disse que a FRB manteria o controle, em vez de diluir sua participação de 87% em um fundo com outros investidores, como estava previsto, para 5%. Após os dois anos, a Justiça poderá decidir sobre os poderes da FRB.
O governo reagiu com perplexidade ao reaparecimento da FRB no processo. Segundo uma fonte, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, teria ficado irritada. Ontem pela manhã, o comentário no Palácio do Planalto era que, se é para a Varig falir, a Fundação veio na hora certa.
A reunião com os credores foi preparatória para a assembléia oficial de segunda-feira. Nessa assembléia, os credores precisam aprovar um novo modelo de venda, a partir da proposta feita pela VarigLog, para que haja o leilão no dia 19.
Fontes que acompanham as negociações afirmaram que o fundo de pensão Aerus deverá aceitar a proposta. Os credores públicos ainda não tinham fechado uma posição, bem como os trabalhadores. As empresas de leasing devem se abster. Um dos temas ainda sem definição na proposta é quanto ao rateio dos créditos de R$5,8 bilhões que a Varig tem pelo congelamento de tarifas no Plano Cruzado e relativos ao ICMS.
Ontem, o juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8 ª Vara Empresarial do Rio, negou a petição dos trabalhadores para fazer nova proposta pela Varig (a oferta da TGV, no primeiro leilão, foi recusada).
COLABOROU Geralda Doca