Título: Quatro dias no banco dos réus
Autor: Flávio Freire
Fonte: O Globo, 18/07/2006, O País, p. 3

SÃO PAULO. O julgamento de Suzane von Richthofen e dos irmãos Cristian e Daniel Cravinhos deverá demorar pelo menos quatro dias, segundo estimativa do juiz Alberto Anderson Filho, do 1º Tribunal do Júri de São Paulo. Os três receberão o veredito de um corpo de sete jurados (quatro homens e três mulheres).

Os três réus chegaram ao Fórum algemados. Suzane, abraçada ao advogado Denivaldo Barni, alternava momentos de choro e riso e chegou a passar mal. Ela começou a depor diante dos jurados por volta das 20h. Antes, no início do julgamento, o advogado Mauro Nacif afirmou que Suzane faria um desabafo sobre sua vida e que iria apresentar um ¿argumento-bomba¿, que não é uma foto ou documento, mas uma argumentação.

¿ Depois que ela contar toda a história, todo o sofrimento dela, vou lançar um argumento-bomba nos últimos oito minutos ¿ disse o advogado, acrescentando que será ¿uma reflexão sobre a vida dela¿.

O advogado dos Cravinhos, Geraldo Jabur, foi irônico.

¿ Espero que essa bomba não atinja ninguém no plenário.

Jabur disse que vai pedir a condenação de seus clientes, mas de acordo com a participação de cada um no assassinato dos pais de Suzane.

¿ É evidente que meus clientes foram usados por Suzane no crime. Todos devem ser condenados, mas guardada a proporcionalidade do que cada um fez.

Os sete jurados são quatro homens e três mulheres, todos com mais de 40 anos: Luiz Soares de Matos, Maria Regina Alexandre, Dimas de Souza, Dionizio José da Cruz, Cleide Claris, Iolanda de Oliveira e José William Machado de Souza, funcionário da Polícia Federal.