Título: OLMERT AMEAÇA LÍBANO COM ATAQUES CONTÍNUOS
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Fonte: O Globo, 18/07/2006, O Mundo, p. 29
Primeiro-ministro israelense diz que país terá de cumprir exigências. Premier libanês acusa Israel de terrorismo
BEIRUTE e JERUSALÉM. No sexto dia de pesados bombardeios ao Líbano num confronto iniciado com a emboscada a uma patrulha de fronteira e o seqüestro de dois militares israelenses pelo grupo xiita libanês Hezbollah, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmou ontem que a ofensiva militar contra o país vizinho vai continuar até que suas condições sejam atendidas. Além da libertação dos reféns, Israel exige o fim dos disparos de foguetes contra seu território e o controle da faixa de fronteira no sul do Líbano pelo Exército do país, tirando o Hezbollah da região. Israel indicou que poderá estabelecer uma zona de segurança na área, dentro do território libanês.
O duelo entre Israel e o grupo radical xiita continuou ontem com os civis libaneses, apanhados no meio do fogo cruzado, sofrendo as maiores baixas: 48 pessoas morreram nos bombardeios, elevando a mais de 200 o número de vítimas desde a semana passada. Do lado israelense, o dia terminou com dezenas de feridos, mas sem mortes.
Como nos dias anteriores, a artilharia, a Marinha e a Força Aérea de Israel alvejaram alvos de infra-estrutura, entre eles o aeroporto e o porto de Beirute, postos de gasolina, fábricas e estradas, concentrando os ataques no sul do Líbano e no sul da capital, onde o Hezbollah tem suas bases de apoio. Nove soldados libaneses morreram atingidos por um míssil em Abdeh, perto da fronteira com a Síria. Depósitos de combustível foram atacados no norte da capital, assim como um quartel do Exército e alvos em Trípoli e Baalbek.
Siniora diz que Israel causou bilhões de dólares de prejuízo
Num dos mais dramáticos episódios do dia, 12 pessoas de duas famílias morreram quando o microônibus em que fugiam do sul do Líbano foi atingido por um míssil perto da cidade de Rumeile. Dez civis morreram e 30 ficaram feridos em uma série de ataques aéreos em Zahlah e outras seis pessoas perderam a vida no bombardeio de um estacionamento de caminhões em Chhim. Além disso, equipes de resgate retiraram nove corpos de uma família de um prédio que desabou após ser atingido em Tiro no domingo. Na aldeia de Aitaroun, seis pessoas morreram numa casa. Pelo menos 120 mil pessoas já fugiram do país para a Síria.
O premier libanês, Fuad Siniora, acusou Israel de causar prejuízos de bilhões de dólares ao país com seus ataques indiscriminados à infra-estrutura e de usar métodos terroristas em sua investida.
¿ O que Israel está fazendo é despedaçar o país.
Três tanques israelenses invadiram o território libanês, mas se retiraram. Um alto oficial das Forças Armadas de Israel disse que o país vai estabelecer uma zona de segurança de um quilômetro no sul do Líbano para impedir que o Hezbollah chegue à fronteira, mas sem ocupar a região. A idéia é fazer o grupo xiita recuar a uma distância de 40 quilômetros da fronteira.
Hezbollah dispara mais de 50 foguetes contra Israel
Ontem, o Hezbollah disparou mais de 50 foguetes contra o norte de Israel, atingindo novamente Haifa e outras 16 cidades e localidades, como Safed ¿ onde um hospital foi danificado ¿ Meron, Carmiel e Akko, fazendo dezenas de feridos. Até agora, 12 militares e 12 civis israelenses foram mortos. Com o aumento do alcance dos foguetes do Hezbollah, cada vez mais cidades mergulham no temor dos ataques aéreos.
¿ Lutaremos com todas as nossas forças. Atacaremos todos que quiserem nos atacar ou atacar qualquer infra-estrutura ¿ declarou o premier Ehud Olmert no Parlamento.
Fontes militares disseram que o Hezbollah fracassou na tentativa de lançar um míssil iraniano Zelzal, com alcance de 120 a 160 quilômetros ¿ o que o faria chegar a regiões até agora protegidas de Israel. O lançador teria sido atingido por aeronaves israelenses antes do lançamento. Por sua vez, a Chancelaria iraniana sugeriu que se resolva a crise com um cessar-fogo seguido de uma troca de prisioneiros entre os dois lados, o que Israel rejeita. Olmert acusou a Síria e o Irã de conduzirem a crise ¿por controle remoto¿.
Em Gaza, um novo ataque destruiu totalmente o prédio da Chancelaria palestina e três civis morreram num bombardeio em Beit Hanun. Ontem, cinco foguetes Kassam foram lançados contra a cidade israelense de Sderot e o kibutz de Nahal Oz, sem fazer vítimas.