Título: COM 13 DEPUTADOS SUSPEITOS, RIO É 1º DA LISTA
Autor: Alan Gripp
Fonte: O Globo, 19/07/2006, O País, p. 5
Mais cinco representantes do estado estão sendo investigados pela CPI; São Paulo, em 2º, tem 10 nomes citados
BRASÍLIA. Os representantes do Rio no Congresso Nacional estão à frente no ranking dos parlamentares suspeitos de envolvimento com a máfia das ambulâncias. Dos 57 investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pela CPI dos Sanguessugas, 13 são deputados fluminenses (22,8% do total). Mais: pelo menos outros cinco congressistas do estado também são investigados pela CPI mas ainda não tiveram seus nomes divulgados.
Os suspeitos do estado estão distribuídos por diversos partidos. Entre os investigados, dois são do PSDB (Paulo Feijó e Itamar Serpa), dois do PSB (Paulo Baltazar e João Mendes de Jesus), dois do PTB (Fernando Gonçalves e Elaine Costa), dois do PFL (Laura Carneiro e Almir Moura), dois do PL (Reinaldo Gripp e Reinaldo Betão), um do PRB (Vieira Reis) e um do PSC (Dr. Heleno).
No ranking dos suspeitos por estados, o Rio de Janeiro é seguido por São Paulo (10), Mato Grosso (cinco), Minas Gerais (quatro), Bahia (quatro), Tocantins (três), Alagoas (dois), Acre (dois), Paraíba (dois) e outros dez estados com um investigado (Paraná, Rio Grande do Sul, Ceará, Rondônia, Pará, Maranhão, Roraima, Rio Grande do Norte, Sergipe e Espírito Santo).
Biscaia e Gabeira querem debate
O alto índice de envolvimento de políticos do Rio levou o presidente da CPI, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT), e o deputado Fernando Gabeira (PV), ambos representantes do estado, a se reunirem ontem momentos antes da divulgação da lista. Eles planejam a realização de um seminário para discutir os motivos que levaram o estado a ter uma participação tão alta no noticiário dos escândalos recentes.
¿ A Assembléia é denunciada pelo enriquecimento dos deputados, o governo é alvo de uma série de denúncias, e agora os sanguessugas. Precisamos nos afastar da idéia da cidade-luz e discutir de verdade os problemas de nossa representação política ¿ disse Gabeira.
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) fez coro:
¿ Desde que deixou de ser capital, o Rio apequenou-se politicamente. O chaguismo, na ditadura, começou esse processo, e o fisiologismo fez escola.
O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), que é presidente do partido no Rio, disse estar preocupado com o número de políticos do estado suspeitos e punidos num passado recente.
¿ Isso mostra a necessidade de o eleitor fluminense valorizar mais a importância do voto ¿ disse Maia.
O parlamentar, no entanto, disse que ainda é cedo para condenar os parlamentares que estão sob investigação. Na lista apresentada pela CPI, estão dois deputados do PFL fluminense, Laura Carneiro e Almir Moura.
¿ Esse processo precisa ter o máximo de transparência possível ¿ disse o pefelista.
Bancada tem 40% sob suspeita
A bancada do Estado do Rio de Janeiro chega à reta final da atual legislatura na berlinda. Levantamento publicado pelo GLOBO na semana passada mostrou que nas investigações em curso no Congresso Nacional e no Supremo 25 dos 61 parlamentares fluminenses que tiveram uma cadeira na Câmara e no Senado nos últimos três anos e meio são acusados ou respondem a inquéritos neste momento por suspeita de terem cometido crimes. O grupo representa 40% da bancada eleita em 2002.
Dos quatro deputados que tiveram seus mandatos cassados pelos colegas na atual legislatura, dois são do estado: André Luiz (expulso do PMDB), flagrado pedindo propina a um empresário de jogos, e Roberto Jefferson (PTB), que denunciou o valerioduto e também se beneficiou dele.