Título: PIB CHINÊS CRESCE 11,3% NO SEGUNDO TRIMESTRE DO ANO
Autor: Gilberto Scofield Jr.
Fonte: O Globo, 19/07/2006, Economia, p. 25

Apesar de medidas do governo, alta é a maior desde 1994

PEQUIM. O Produto Interno Bruto da China (PIB, o conjunto de riquezas produzidas pelo país) cresceu 11,3% no segundo trimestre do ano, a maior taxa de crescimento da economia chinesa desde 1994. No acumulado do primeiro semestre de 2006, apesar das medidas adotadas pelo governo de Pequim para desacelerar a economia em setores superaquecidos, o valor do PIB atingiu 9,14 trilhões de yuans (US$1,15 trilhão), uma alta de 10,9% em relação ao mesmo período de 2005. A informação foi dada ontem por Zheng Jingping, porta-voz da Agência Nacional de Estatísticas (ANE), o IBGE local.

A inflação em junho, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), foi de 1,5%, a mais alta do ano, mas manteve-se baixa no acumulado do semestre e abaixo da taxa do mesmo período do ano passado, contrariando uma percepção cada dia maior entre os moradores de Pequim de que o custo de vida está aumentando ¿ fala-se em alta de 50% nos preços da gasolina nos postos da cidade, por exemplo. Para Zheng, o recuo na inflação foi provocado pela queda dos preços dos produtos agrícolas, especialmente grãos, como o arroz.

Os números de crescimento e inflação deixaram os economistas divididos quanto à adoção imediata de novas medidas, além das recentemente tomadas pelo governo chinês, para segurar o ritmo de expansão econômica. Fala-se em nova alta nos juros e em uma aceleração na valorização do yuan, sempre negados por Pequim.

¿ Um modelo econômico que se baseia em excessivos investimentos em ativos fixos (em novas fábricas e equipamentos e imóveis) e em exportações não é sustentável. Da mesma forma, a inflação se mantém baixa, mas numa trajetória de alta que precisa da nossa atenção ¿ disse Zheng, que mesmo assim descartou novas medidas de aperto a curto prazo.

Investimentos em ativos fixos cresceram 29,8%

Os investimentos em ativos fixos na China cresceram 29,8% este ano ¿ 31,3% nas áreas urbanas ¿ e a produção industrial saltou 10,9%. Zheng aposta que a China vai crescer sem muitas dores de cabeça nos próximos meses e explica sua tese:

¿ A situação de gargalos em setores superaquecidos, como carvão, cimento, alumínio e siderurgia, vem sendo resolvida de forma satisfatória, apesar da redução das margens das indústrias. A economia mundial continua crescendo vigorosamente, com projeções de alta de 4,9% este ano e, por fim, o consumo doméstico chinês vem aumentando de forma saudável.

No turbulento setor de comércio exterior do país, as exportações aumentaram 25,2%, para US$428 bilhões, enquanto as importações subiram 21,3%, para US$367,1 bilhões, elevando o saldo no primeiro semestre do ano a US$61,5 bilhões. Este fluxo de dinheiro do comércio internacional, somado aos investimentos estrangeiros e às remessas de chineses que moram em outros países, ajudou a elevar o nível de reservas para US$941,1 bilhões no semestre, e estas facilmente atingirão US$1 trilhão até o fim do ano.

Ano passado, o PIB da China cresceu 9,9%, atingindo um volume de 18,2 trilhões de yuans (US$2,3 trilhões) e ultrapassando as economias da França e do Reino Unido.