Título: CHIRAC PEDE CORREDORES HUMANITÁRIOS
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Fonte: O Globo, 20/07/2006, O Mundo, p. 31

Região sul do Líbano já enfrenta escassez de água, alimentos e medicamentos

BEIRUTE. No rastro da advertência da ONU de que 500 mil pessoas já foram obrigadas a fugir de suas residências ¿ de uma população total de 3,5 milhões ¿ o presidente da França, Jacques Chirac, apelou ontem para a abertura de corredores humanitários no Líbano a fim de que a assistência chegue às áreas atingidas pelos bombardeios de Israel e os moradores possam sair em segurança. O premier libanês, Fuad Siniora, reforçou o pedido de ¿ajuda humanitária internacional urgente¿.

A situação em muitas aldeias e cidades do sul do Líbano, na região mais fortemente bombardeada, é crítica, com escassez de água, alimentos e medicamentos. Com as estradas avariadas e muitas pontes que ligam o sul ao norte do país destruídas, o abastecimento fica cada vez mais difícil.

¿ A situação aqui está horrível. Precisamos de ajuda ¿ desesperou-se Ghassan Bourji, de 55 anos, na cidade de Rmadiyeh, afirmando que seus dois filhos estão sem insulina e a mãe, sem remédio para o coração. ¿ Estou com medo de perdê-los.

Segundo missão da ONU, Israel nega passagem segura

O Fundo da ONU para a Infância (Unicef) diz que a região sul do Líbano poderá enfrentar uma grave crise humanitária se o acesso pelas estradas continuar perigoso.

¿ Os problemas são enormes ¿ disse Soha Boustani, porta-voz do Unicef no Líbano.

O fundo fez um apelo por doações de US$7,3 milhões para atender as necessidades básicas imediatas de mulheres e crianças na região. A Unifil, a pequena força de paz da ONU no sul do Líbano, disse ter conseguido levar um número escasso de comboios de logística e de apoio humanitário às cidades mais necessitadas. Segundo a missão, o Exército israelense vem ignorando os vários pedidos para garantir a passagem segura de comboios carregados de suprimentos destinados aos postos da Unifil e aos civis libaneses.

Na pequena cidade de al-Marieyh, na fronteira, Nouhad Thiyab disse que sua família ainda tem pão, azeitonas e trigo para mais uma semana, mas que água potável está acabando.

¿ Podemos sobreviver comendo até grama, mas a água é nosso maior problema. Estamos racionando o consumo, não estamos tomando banho nem lavando roupa há vários dias ¿ disse o professor de 50 anos, que tem quatro filhos.

Shady Abou-Malik, dono de uma farmácia na cidade de Rashiya, perto da fronteira, disse que as drogarias começaram a racionar a venda de remédios na tentativa de prolongar a duração dos estoques.

Refugiados lotam salas de aula de escola em Sídon

Na cidade de Sídon, uma escola abrigava mais de 60 refugiados em cada sala de aula.

¿ Fugi depois de cinco dias de bombardeio e minha mulher deu à luz aqui ¿ disse Mohammed al-Khaled, acrescentando que deu o nome de Raad (trovão) ao filho recém-nascido em homenagem a um dos tipos de foguete que o Hezbollah lançou contra Israel.