Título: EUA SÃO CONTRA DECLARAÇÃO DE CESSAR-FOGO
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Fonte: O Globo, 20/07/2006, O Mundo, p. 31

WASHINGTON. Na contramão das exortações da maior parte da comunidade internacional, os Estados Unidos se manifestaram ontem contra os apelos para que a ONU declare um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah no Líbano. Para o governo americano, não faz sentido declarar uma trégua entre um Estado e um ¿grupo terrorista¿ como o Hezbollah.

A posição foi definida pelo embaixador dos EUA na ONU, John Bolton, poucas horas depois de a França propor que o Conselho de Segurança analisasse a possibilidade de aprovar uma resolução exigindo um cessar-fogo duradouro. Bolton alegou que o Conselho deveria se dedicar a desarmar o Hezbollah e a fazer com que o governo libanês assuma o controle sobre todo o país.

¿ Não tenho certeza de que a concepção tradicional de cessar-fogo faça algum sentido em se tratando de um grupo terrorista que lança foguetes contra populações civis e seqüestra israelenses inocentes ¿ argumentou o embaixador.

Além do cessar-fogo, Paris propunha a libertação dos dois militares israelenses seqüestrados pelo Hezbollah e o deslocamento de uma força de paz para a fronteira sul do Líbano.

A única voz em apoio à posição dos EUA a foi de seu tradicional aliado, o premier britânico, Tony Blair, que disse no Parlamento considerar como pré-condição para um cessar-fogo a libertação dos reféns israelenses.

Já Rússia, Alemanha, Itália e a ONU apoiaram a França.

¿ Não é hora de buscar culpados, e sim de encontrar uma saída para a crise ¿ disse o chanceler russo, Sergei Lavrov.

Por sua vez, o jornal britânico ¿The Guardian¿ e o americano ¿The New York Times¿ afirmaram ontem que os EUA deram um prazo de alguns dias mais a Israel antes de aderirem aos pedidos de cessar-fogo, temendo o desgaste pelo prolongamento indeterminado do conflito. O presidente do governo espanhol, José Luis Zapatero, alertou Israel para o uso ¿de uma força abusiva¿ em sua defesa.