Título: O grupo ainda não revelou todo seu arsenal"
Autor: Renato Malkes
Fonte: O Globo, 20/07/2006, O Mundo, p. 34
TEL AVIV. Para Uzi Rubin, um dos maiores especialistas em mísseis de Israel, o Hezbollah guarda na manga um trunfo capaz de atingir cidades como Tel Aviv. Ele acha que a surpresa à qual se referiu o Hezbollah são os potentes mísseis Fadgir 5 e Zelzal, de fabricação iraniana.
Nos últimos anos o Hezbollah atacou os israelenses com foguetes de curto alcance. O uso de mísseis surpreendeu?
UZI RUBIN: Não. O lançamento de mísseis era previsível, pois o Hezbollah vem adquirindo na última década o que há de mais moderno na Síria e no Irã. Os mísseis que caíram em Haifa, de fabricação síria, são prova de que há um comércio negro de armas pesadas atuando sob os olhos da comunidade internacional sem qualquer intervenção. O grande problema é como lidar com os foguetes, cuja maior característica é a falta de direção. Quando são lançados, não se tem controle sobre o alvo e por isso, seu raio de alcance é tão amplo e disperso, caindo em diversos pontos longínquos do norte de Israel.
A ameaça dos foguetes de curto alcance é maior do que a de mísseis como os que caíram na cidade de Haifa?
RUBIN: Para todo problema há uma solução, mas não sou militar e não posso dizer como Israel lida com isso. Identificar um míssil é mais fácil que identificar um foguete. Os mísseis têm alvo determinado, enquanto foguetes não. Podem cair onde quer que seja, deixando o agressor sem controle. Contra mísseis, Israel tem o projeto Arrow que se mostrou eficiente em todos os testes, mas contra foguetes houve apenas tentativas e nenhuma trouxe bons resultados. Infelizmente o Arrow não pode ser acionado em ataques como os que têm acontecido no norte.
Por quê?
RUBIN:Basicamente porque foi feito para ataques de uma distância muito maior. O desafio é dar aos cidadãos um sistema de aviso prévio, sobretudo no caso de foguetes. Se sirenes forem acionadas a tempo, as pessoas poderão se refugiar em abrigos. Foguetes como o Qassam e o Katiusha têm uma composição fácil, eficiente e barata. São lançados em grande quantidade a toda hora e tornam difícil desenvolver um mecanismo de defesa eficaz.
Qual é a ameaça real do arsenal do Hezbollah contra cidades como Tel Aviv?
RUBIN: É impossível avaliar, pois não se sabe exatamente que armas tem o Hezbollah. É certo que ele ainda não mostrou todo seu arsenal. Sabe-se que além dos foguetes e dos mísseis Fajr-3 sírios, com alcance até 45 quilômetros, o Hezbollah tem o Fajr-5, de fabricação iraniana, capaz de atingir até 75 quilômetros. Analistas especulam ainda que o grupo adquiriu de Teerã mísseis Zelzal, um dos mais modernos, com alcance entre 200 e 250 km. O uso de uma arma como esta seria um desastre, pois colocaria em risco não só Tel Aviv mas cidades do sul, como Beer Sheva. (R.M.)