Título: MENOS DE 14% DOS CANDIDATOS SÃO MULHERES
Autor: Isabel Braga
Fonte: O Globo, 22/07/2006, O País, p. 15
No geral maioria tem curso superior, mas 53 que disputarão as eleições declaram saber apenas ler e escrever
BRASÍLIA. As mulheres são maioria no eleitorado brasileiro (cerca de 65 milhões dos 125,9 milhões de eleitores), mas a carreira política continua sendo um reduto masculino e dos mais letrados. Dos 19.100 candidatos nas eleições de outubro, 16.400 são homens (86,05%) e apenas 2.600 mulheres (13,95%). E em todas as disputas predominam os candidatos que declaram ter diploma universitário. Grande parte é composta por pessoas mais maduras: 46,33% têm entre 45 e 59 anos.
Há, no entanto, 53 candidatos que declararam saber apenas ler e escrever ¿ os chamados analfabetos funcionais ¿ e um candidato a deputado estadual pelo Rio que se declarou analfabeto: Ailton Carvalho Zampaglione (PHS). Isso pode, no entanto, ter sido um erro de digitação ou uma espécie de protesto, já que Ailton declarou ser professor de ensino superior.
TSE fez levantamento nos registros de candidatos
Entre os 53 que sabem apenas ler e escrever, dois pretendem ser governadores de Mato Grosso ¿ são candidatos o comerciante Roberto Pereira (PHS) e o mecânico de manutenção Plauto Vieira (PRP) ¿ e um quer chegar ao Senado pela Bahia ¿ o padeiro José Maria dos Santos (PCO). Outros 10 são candidatos a deputado federal e 40 a deputado estadual.
O levantamento, feito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base nos registros dos candidatos, mostra que dos 208 candidatos aos governos dos estados e do Distrito Federal, 155 têm ensino superior completo. Entre os candidatos a Presidência da República, apenas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estudou até a 8ª série (ensino fundamental completo). Os outros têm curso superior. Dos 5,4 mil candidatos a deputado federal, 2,8 mil têm curso superior completo; entre os 13,3 mil candidatos a deputado estadual e distrital, são 5,6 mil.
Em relação à faixa etária, há maior incidência de candidatos entre 25 e 69 anos. São 8.880 candidatos entre 45 e 59 anos, 5.823 entre 35 e 44 anos, 2.064 entre 25 e 34 anos e 1.682 entre 60 e 69 anos. O menor interesse está entre jovens de 18 a 20 anos: apenas 19 se candidataram. E, no extremo oposto, 49 pessoas de mais de 79 anos querem seguir carreira política. Também estão na disputa 369 pessoas de 70 a 79 anos.
No Rio, concorrem 378 mulheres e 1.928 homens
Segundo o perfil divulgado, enquanto o percentual total de mulheres candidatas é de 13,95%, quando a disputa é para o Senado ele sobe para 16,23% (37 candidatas). No caso das Assembléias Legislativas, para 14,17% (1.790). O percentual mais alto de mulheres candidatas é na disputa para a Câmara Legislativa, no Distrito Federal: 21,13% são mulheres, contra 78,87% do sexo masculino.
No Rio de Janeiro o percentual de candidatas à Assembléia também é acima da média geral: 17,67% (265 candidatas) e 82,33% de homens (1.235 candidatos). No total, o Rio tem 378 candidatas do sexo feminino (16,39%) e 1.928 do sexo masculino (83,61%). O estado tem a melhor representação feminina na disputa aos governos (três candidatas, número igual apenas ao do DF), ao Senado (com quatro candidatas, número igualado apenas pelo Amapá).
Na disputa pela Câmara dos Deputados está a mais nova candidata do Estado do Rio: Mariá de Azevedo da Silva (PTdoB), que completará 18 anos no próximo dia 23 de agosto. Tem o ensino médio completo, nasceu em Macaé e é solteira. O candidato mais velho do estado é o carioca Rubem Brasil (PMDB), de 90 anos, que concorre a uma vaga na Assembléia Legislativa. Casado, ele é servidor público aposentado.
Entre os candidatos ao governo do Rio, dois declararam ter o ensino médio completo: Alexandre Furtado (PSL) e Luiz Novaes (PSDC). Os demais têm diploma universitário. A grande maioria dos candidatos ao Senado pelo Rio também têm grau superior completo: 14 dos 17.
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