Título: HAIFA: DURA ROTINA DOS FOGUETES
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Fonte: O Globo, 22/07/2006, O Mundo, p. 35
Moradores já não obedecem apelos para ficarem em casa
HAIFA, Israel. Pelo menos mais três mísseis atingiram ontem a cidade de Haifa, no norte de Israel, deixando 19 feridos e dezenas de moradores em estado de choque. Por volta das 13h, a sirene de alerta soou e pouco depois um míssil atingiu a agência central dos correios. Outro míssil atingiu um prédio residencial no bairro de Hadar, entrando pelo telhado e destruindo três apartamentos, vazios na hora da explosão. O terceiro foguete caiu num estacionamento próximo a um gasoduto e provocou um incêndio, rapidamente controlado. O ataque rompeu uma trégua de pouco mais de 24 horas e levou os moradores da cidade de volta aos abrigos subterrâneos.
Prefeito: ¿Saiam só para comprar artigos de primeira necessidade¿
Os edifícios em volta do prédio dos correios tiveram os vidros quebrados pela explosão e uma multidão de curiosos tornava ainda mais complicado o trabalho das forças de segurança. Poucos minutos após a primeira sirene, um novo alerta ecoou pelas ruas e foi seguido de um forte estrondo. Outros seis foguetes caíram num subúrbio de Haifa. Os poucos carros que circulavam pararam e muita gente correu para entrar nos abrigos.
¿ Quando a sirene é acionada, parece um ritual: corremos para nos escondermos, contamos alguns segundos e ouvimos o ¿bum¿. Depois acompanhamos pelo rádio a confirmação da queda do foguete, aguardamos mais alguns minutos até que a polícia diga que podemos sair e recomeçamos tudo de novo. A gente está se acostumando ¿ desabafou o aposentado Yossef Haglili.
Poucos estabelecimentos comerciais abriram as portas, mas apesar do clima de cidade fantasma, o maior desafio dos policiais é manter a população protegida em suas casas. Após dez dias de guerra, dezenas de bombardeios e horas infinitas de confinamento em bunkers subterrâneos sob calor do verão israelense, muitos moradores começam a demonstrar os primeiros sinais de cansaço e saem às ruas atraídos pela curiosidade. Munidos de celulares e câmeras digitais, muitos perambulam pelas ruas acompanhando o trabalho das centenas de jornalistas estrangeiros baseados na cidade. O prefeito Yona Yahav foi às principais rádios e TVs do país implorar à população para que seja paciente e saia de casa somente em caso de extrema necessidade.
¿ A cidade está sob ataque e as poucas horas de silêncio dão uma falsa sensação de que o pior já passou. As ordens são claras. Para a segurança de todos, peço que fiquem em casa e saiam apenas para comprar artigos de primeira necessidade. Muitos dos que se feriram com os estilhaços do bombardeio estavam passeando no local da explosão. Muita dor teria sido evitada se esses moradores tivessem escutado nossos apelos ¿ disse o prefeito.
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