Título: SOB CALOR DE 35 GRAUS, À ESPERA DA BATALHA
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Fonte: O Globo, 22/07/2006, O Mundo, p. 35
AVIVIM, norte de Israel. Há dez dias acampados, soldados israelenses tentam passar as poucas horas de folga em clima de descontração. Próximo ao vilarejo de Avivim, a menos de um quilômetro da fronteira com o Líbano, oficiais entre 18 e 21 anos da unidade de tanques enfrentam um calor de mais de 35 graus, dormem cerca de três horas por dia, retocam as armas, preparam os blindados e fazem pose para dezenas de jornalistas que visitam a região. Enquanto uns descansam dentro dos veículos, outros driblam a tensão lendo jornais e fazendo piadas.
¿ É uma situação delicada e sabemos que podemos matar ou morrer a qualquer momento, mas é preciso defender o país. Nos poucos minutos livres, tento ler o jornal e gosto muito do horóscopo. Quem sabe teremos previsões de dias melhores e poderei voltar para casa em breve ¿ disse o cabo Elad, de 20 anos.
Nem mesmo as espessas nuvens de fumaça que cobrem a região incomodam os jovens combatentes. Acostumados ao som dos tiros de artilharia pesada e explosões, a maioria sonha em terminar os três anos de serviço militar obrigatório e viajar pelo mundo antes de começar os estudos. Ido, de 21 anos, morador de Tel Aviv, terminava de apertar parafusos do tanque que comanda com outros três colegas e surpreendeu-se ao saber da presença da imprensa brasileira no front.
Para ele, é difícil acreditar que o Brasil esteja interessado no que acontece nesta parte do planeta. Ao saber da morte de sete cidadãos brasileiros no sul do Líbano, o semblante descontraído se fechou, surpreso.
¿ Há brasileiros no Líbano também? Lamento, mas temos uma missão e tudo o que quero é evitar o lançamento de mísseis contra Israel. (R.M.)