Título: LULA IGUALA RECORDE DE JK E CRIA 10 INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR
Autor: José Casado e Demétrio Weber
Fonte: O Globo, 23/07/2006, O País, p. 4
Comunidade acadêmica elogia mas petista pede foco em cursos profissionalizantes
Sem diploma e de origem operária, o presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva recentemente pediu ao Ministério da Educação uma pesquisa: queria saber qual presidente criou mais universidades. Na contabilidade do MEC, o resultado deixa Lula e Juscelino Kubitschek empatados ¿ cada um criou dez instituições federais de ensino superior. A lista de Lula inclui duas que ainda precisam ser aprovadas pelo Congresso.
Para a comunidade acadêmica, beneficiária direta, trata-se de uma proeza:
¿ Uma das grandes realizações do governo federal foi a recuperação e a expansão das universidades ¿ elogia o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Paulo Speller.
O governo Lula foi além. Dados da Secretaria de Educação Superior do MEC mostram que o orçamento somado de custeio e investimento das universidades federais subiu 41% em termos reais, de 2002 para 2005.
No ano eleitoral de 2002, sob a gestão Fernando Henrique Cardoso, as instituições federais receberam R$924,4 milhões para custeio (despesas de manutenção) e R$37,6 milhões para investimento.
Com Lula, as despesas subiram respectivamente para R$1,2 bilhão e R$162 milhões em 2005. Nos dois casos, os valores foram atualizados pela variação média do Índice de Preços no Atacado no período.
Se incluídos os gastos com pessoal, o governo destinou R$8,9 bilhões para as universidades federais ano passado.
¿ É uma notícia extraordinária. Antes, no governo Fernando Henrique, tínhamos redução de recursos, pois o orçamento crescia menos do que a inflação ¿ comemora Speller, que também é reitor da Universidade Federal de Mato Grosso.
Relator do projeto do governo de reforma universitária na Câmara, o petista Paulo Delgado (MG), no entanto, sugere mudança de foco, com mais ênfase em investimentos nos cursos profissionalizantes:
¿ Temos é que acabar com essa ilusão universitária que existe no país. E precisamos ter um ensino médio técnico de qualidade que possa substituir o ensino médio na preparação para o mercado de trabalho.
Na universidade pública, ele acha, urgente mesmo é criar um critério de crédito comunitário em troca da gratuidade do ensino. Explica:
¿ Só se formaria na escola superior gratuita quem se dispuser a trabalhar para a comunidade, antes e depois do curso. A gratuidade plena é antidemocrática ¿ acha o deputado, ex-presidente da Comissão de Educação da Câmara.
Os reitores das escolas superiores federais querem agora, com apoio do MEC, se livrar de uma bilionária conta anual ¿ a dos hospitais universitários. Pretendem repassá-los à Saúde, cuja folha de despesas subiria em R$1 bilhão. Temem que, adiante, falte dinheiro para outra etapa dessa expansão universitária.
O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Gustavo Petta, compartilha a preocupação. Petta acha a idéia politicamente viável até porque, argumenta, a abertura de novas universidades e campus país afora tendem a render dividendos eleitorais suprapartidários.