Título: PATRIMÔNIO DE DEPUTADOS CRESCE 60% EM 4 ANOS
Autor: Dimmi Amora e Maiá Menezes
Fonte: O Globo, 23/07/2006, O País, p. 12

Comparação entre declarações de 2002 e 2006 mostra a evolução; valor este ano chega a R$40 milhões

A soma do patrimônio declarado dos 70 deputados da Assembléia Legislativa do Rio aumentou 60% em quatro anos. Em 2002, os bens dos legisladores fluminenses estavam avaliados em R$23,9 milhões, segundo declarações apresentadas aos Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Este ano, o valor alcançou R$40 milhões. De acordo com levantamento do GLOBO, 18 deputados conseguiram ter um crescimento acima da média da Casa. Apenas dois deputados não concorrerão este ano e 87% deles tentam novamente vaga na Alerj. O subsídio de deputado estadual é de R$9.540.

A comparação dos bens dos deputados estaduais desde a eleição de 1998 mostra casos de espantoso enriquecimento. O presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), foi quem mais conseguiu acumular recursos nos dois períodos. De 2002 a 2006, seus bens subiram de R$2 milhões para R$7,7 milhões, um crescimento de 315%. Na legislatura de 1998, seu patrimônio era de R$583 mil. O crescimento no período é de 1.355%, com um ganho de mais de R$7 milhões.

O aumento do patrimônio de Picciani é quase todo na aquisição de ações de empresas agropecuárias, além de recursos em contas bancárias. O Ministério Público Federal determinou à Polícia Federal este ano a abertura de inquérito para investigar Picciani e outros dez deputados e ex-deputados por suspeita de crimes contra a ordem financeira e de lavagem de dinheiro. Já o Ministério Público Estadual arquivou uma inquérito de improbidade administrativa por entender que o crescimento patrimonial de Picciani guardava relação com seus rendimentos no período analisado.

Milionários em duas legislaturas

Andreia Zito (PSDB) começou na Alerj em 1998 e apresentava tinha R$10,1 mil, com um carro e recursos bancários. Na legislatura seguinte, em 2002, seus bens já alcançavam R$132 mil. Em mais quatro anos de mandato, Andreia alcançou a cifra de R$1,081 milhão. Ela adquiriu cinco imóveis (quatro nos últimos quatro anos), um carro e tem R$90 mil em dinheiro.

Domingos Brazão (PMDB) foi outro legislador que conseguiu ficar milionário em duas legislaturas. De 2002 para 2006, ele conseguiu acumular R$802 mil, pulando de R$443 mil para R$1,2 milhão. Ele tem hoje 11 imóveis, é sócio de cinco empresas, sendo três postos de combustíveis, além de um automóvel de R$195 mil. Bem diferente de 1998, quando possuía dois imóveis, linhas telefônicas e quatro carros velhos, que declarava sem informar o valor.

O patrimônio de 19 deputados cresceu até 60% no período. Outros 12 tiveram redução no valor de seus bens declarados. Dos outros 21 deputados, seis apresentaram variação patrimonial que não pode ser comparada percentualmente porque os valores iniciais são extremante baixos, gerando distorção no cálculo. Três parlamentares que se declaravam sem patrimônio passaram a ter algum bem em seus nomes. Dois mantiveram a declaração de que não possuem bens. Dois passaram a não declarar patrimônio em 2006.

Noel de Carvalho (PMDB) e Renato de Jesus (PMDB) deixaram de informar ao TRE e ao GLOBO o valor de seus bens. Quatro só apresentam o valor do patrimônio em 2006, o que impede a comparação. Este ano, o TRE obrigou os candidatos a entregarem em versão digital a declaração de bens, que sempre foi obrigatória, e passou a disponibilizar esta informação na ficha dos candidatos disponível no site do tribunal. Antes, os deputados só precisavam entregar a declaração em papel.