Título: HELOÍSA: 'TRISTE' COM ARREPENDIMENTO DO PT
Autor: Adauri Antunes Barbosa
Fonte: O Globo, 24/07/2006, O País, p. 4
Candidata do PSOL evita falar de possível reaproximação com o partido de Lula
SÃO PAULO. A senadora Heloísa Helena, candidata do PSOL à Presidência da República, disse ontem em São Paulo que, como cristã, acredita no arrependimento das pessoas, mas ¿fica triste¿ de o PT só se arrepender de tê-la expulsado ¿ como informou reportagem do GLOBO de ontem ¿ quando chegou aos 10% nas pesquisas eleitorais.
¿ Como cristã tenho de acreditar no arrependimento dos outros. Só fico triste que o arrependimento não tenha vindo pelo sentimento de ter provocado tantas dores e tantas humilhações à minha alma militante, mas só quando atingi 10% na pesquisa. Fico muito triste com isso, sinceramente.
Discurso para cerca de 400 empresários
Heloísa Helena participou ontem do 7º Encontro Latino-Americano de Líderes, em São Paulo, promovido pela Confederação Latino-Americana do Comércio (Clam), entidade presidida pelo deputado Gerson Gabrielli (PFL-BA), que a recebeu pedindo, em discurso, apoio ao Estatuto da Microempresa. Depois de falar para cerca de 400 empresários de pequeno porte, a candidata disse que não aceita doações financeiras de empresas para sua campanha.
¿ É uma decisão. Não tenho dúvida de que a generalização é perversa sempre, mas do mesmo jeito que existe empresário honesto, pode existir personalidade que se reivindique de esquerda e seja pilantra. Mas para dar coerência ao que nós defendemos na reforma eleitoral, que os empresários não poderiam contribuir com campanha eleitoral justamente para evitar tráfico de influência, intermediação de interesse privado e exploração de prestígio, não receberemos de setores empresariais.
Segundo ela, a posição tem caráter pessoal muito forte:
¿ Se o partido definisse outra coisa eu não aceitaria. Então tem o caráter pessoal também.
A candidata do PSOL foi muito aplaudida pelo auditório, que chegou a cantar em pé dois hinos de lojistas brasileiros quando a senadora defendeu a redução dos juros e da carga tributária.
¿ Nós não temos dúvida de que, com a redução das taxas de juros, teremos a possibilidade concreta de ter R$160 bilhões para investir nos setores que dinamizam a economia local, gerando emprego e renda, nas políticas sociais e sem inflação nem fuga de capitais.
De novo ela disse que não vai acabar com o Bolsa Família, se eleita, mas que pretende reformular o programa.
¿ Do jeito que está é um programa eleitoreiro, oportunista e que condena quem o recebe à pobreza.
Depois do evento, a candidata foi para São José dos Campos, no Vale do Paraíba, onde acusou ministros de sabotarem sua campanha após o crescimento nas pesquisas. Ela citou o ministro da Articulação Política, Tarso Genro.
¿ Eles estão espalhando no Nordeste que vou acabar com o Bolsa Família. Estão plantando muito boatos ¿ afirmou.
COLABOROU: José Roberto Amaral, especial para O GLOBO