Título: CABRAL DIZ QUE POLÍTICA DE SEGURANÇA É BURRA
Autor: Bernardo Mello Franco
Fonte: O Globo, 24/07/2006, O País, p. 8
Candidato do PMDB, apoiado por Rosinha e Garotinho, critica uso do Caveirão em visita à Rocinha e ao Vidigal
O candidato do PMDB ao governo do estado, Sérgio Cabral, chamou ontem de burra a política de segurança fluminense. Em visita às favelas da Rocinha e do Vidigal, o senador ¿ que é apoiado pela governadora Rosinha Garotinho e pelo marido, o ex-governador Anthony Garotinho ¿ prometeu, se eleito, coibir a violência policial em operações nas comunidades.
¿ As operações ocasionais jogam a população contra a polícia. Essa política de trauma é burra. O uso do Caveirão deveria ser a última opção, mas passou a ser rotina ¿ afirmou Cabral, que passou por fichações com o nome de uma facção criminosa acompanhado por cerca de dez seguranças.
A governadora se recusou a comentar as críticas. Cabral disse que não pediu autorização a traficantes para visitar as favelas, mas o vice-presidente da Associação de Moradores do Vidigal, Jonas Barcellos, admitiu que os bandidos foram procurados.
¿ Infelizmente, a gente sabe que tem que dar esse tipo de aviso ¿ disse.
Para a carreata nas favelas, foram alugados cinco jipes de oito passageiros usados em passeios turísticos na Rocinha. O dono da empresa Forest Tour, Álvaro Filho, informou que a despesa foi paga pelo deputado federal Julio Lopes (PP-RJ). O empresário não informou o valor do contrato, mas disse que costuma cobrar R$75 por pessoa nas visitas. O parlamentar ¿ que negou o pagamento ¿ teria gastado, portanto, cerca de R$3 mil com a comitiva.
No Vidigal, assessores de Cabral espalharam centenas de cartazes e faixas de campanha antes da chegada da carreata. O candidato visitou a vila olímpica da favela, deu entrevista a uma rádio comunitária, assistiu a uma apresentação de capoeira e arriscou passos de funk ao som de um jingle de campanha. Na Rocinha, Cabral andou na garupa de um mototáxi, sambou com ritmistas da escola de samba local, cumprimentou feirantes no Largo do Boiadeiro e prometeu executar um projeto de urbanização orçado em cerca de R$80 milhões.
Antes de subir o Vidigal, o senador se irritou ao ser chamado de candidato oficial.
¿ Meu governo não será de continuidade nem de descontinuidade. Será o governo do Sérgio Cabral ¿ afirmou.
Apesar das críticas às administrações do casal Garotinho, o candidato a vice de Cabral é o ex-secretário de Governo Luiz Fernando Pezão. Ontem, o senador estava acompanhado por ele e pelo líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Noel de Carvalho (PMDB). No sábado, pediu votos ao lado dos ex-secretários Fernando William (Governo e Ação Social), Chiquinho da Mangueira (Esportes) e Hugo Leal (Justiça e Administração).
De manhã, os candidatos Marcelo Crivella (PRB) e Denise Frossard (PPS) fizeram campanha na Praça Seca, em Jacarepaguá, mas não se encontraram.
¿ Apertaria a mão do candidato Crivella com muito prazer. Mas se o garotinho do Garotinho, o Sérgio Cabral, estivesse aqui, teria que se confrontar comigo ¿ disse Denise.
COLABOROU Tatiana Clébicar