Título: CHINA REDUZIRÁ SUBSÍDIO À EXPORTAÇÃO E CORTE DEVE AFETAR TÊXTEIS E METAIS
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Fonte: O Globo, 24/07/2006, Economia, p. 18
Diminuição para setores que usam muito recurso natural ou energia seria de 2%
PEQUIM. A China quer reduzir os benefícios fiscais às exportações cuja produção utilize recursos naturais ou energia em excesso, bem como aqueles que causem muitos danos ao meio ambiente, informou ontem a imprensa chinesa. Segundo a agência estatal Xinhua, esse corte, que deve afetar principalmente os setores têxtil e de metais, deve ficar em torno de 2%.
Essas novas leis fiscais devem entrar em vigor em setembro ou outubro, ¿apesar dos protestos de indústrias e companhias comerciais¿, afirmou a revista de negócios ¿Caijing¿.
Com essa medida, a China vai mudar sua pauta de exportações, hoje dominada por produtos de baixo valor agregado, além de reduzir sua dependência das vendas externas. Outros benefícios serão a diminuição da poluição e a conservação de energia.
¿O governo chinês quer um equilíbrio comercial. Não buscamos um superávit comercial a qualquer preço¿, disse à Xinhua o porta-voz do MInistério do Comércio, Chong Quan.
O superávit comercial da China aumentou 50% no primeiro semestre deste ano frente ao mesmo período de 2005, atingindo US$61,45 bilhões. Isso é foco de conflitos com Estados Unidos e Europa, que acusam Pequim de inundar seus mercados com produtos baratos.
Essas isenções fiscais foram criadas em 1988, durante a crise dos mercados asiáticos. Inicialmente eram de 6%, contra os 15% atuais. De 2001 a 2005, essas isenções atingiram a cifra de 1,19 trilhão de yuans (US$148,7 bilhões).
Bancos poderão investir US$4,8 bi no exterior
Outra queixa de europeus e americanos diz respeito à demora do governo chinês em flexibilizar a cotação do yuan. Esse ponto foi atacado ontem com uma medida das autoridades cambiais chinesas: a concessão de US$4,8 bilhões em quotas de investimento estrangeiro, informou a Xinhua.
A Administração Estatal de Câmbio concedeu US$2,5 bilhões em quotas ao Banco da China, US$2 bilhões ao Banco Comercial da China e US$300 milhões ao Banco da Ásia Oriental. Essas instituições financeiras poderão trocar yuans por dólares para investir em projetos no exterior. É a primeira vez que bancos comerciais recebem essas quotas.
Essa concessão faz parte de um conjunto de medidas criado por Pequim para facilitar o uso das crescentes reservas em moeda estrangeira, que devem chegar ao recorde de US$1 trilhão até o fim do ano.
¿Devido à expectativa de valorização do yuan, um grande volume de moeda estrangeira entrou na China nos últimos anos, elevando ainda mais a cotação do yuan¿, disse a agência Xinhua. Segundo a reportagem, essa medida vai aliviar a pressão no câmbio.