Título: CRIVELLA: `MARCOLA DISSE. E EU ACREDITO¿
Autor: Bernardo Mello Franco
Fonte: O Globo, 27/07/2006, O País, p. 14
Candidato diz que foi criminoso quem acusou políticos de usar cocaína
Um dia depois de provocar polêmica ao dizer, sem citar nomes, que políticos fluminenses usam cocaína, o candidato do PRB ao governo do estado, Marcelo Crivella, surpreendeu ontem ao atribuir a informação ao traficante Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. O bandido lidera a facção criminosa que, desde maio, comanda ondas de ataques a delegacias e carcereiros em São Paulo.
¿ Há político envolvido com roubalheira nas verbas da saúde, político freqüentando mansões com prostitutas. É um horror. E tem políticos aí que, segundo o Marcola, cheiram até cocaína. E eu acredito ¿ afirmou o senador, que se negou novamente a identificar os alvos do ataque.
Segundo Crivella, a acusação de Marcola foi feita em depoimento fechado a integrantes da CPI do Tráfico de Armas, em junho, no presídio de Presidente Bernardes (SP). O senador disse ainda não acreditar na pesquisa Ibope divulgada na terça-feira que o aponta como alvo de maior rejeição do eleitorado fluminense (22%).
¿ Olha aqui a rejeição. Está altíssima! ¿ ironizou, enquanto abraçava eleitoras em caminhada no Calçadão de Santa Cruz, na Zona Oeste.
Senador reclama de instituto de pesquisa
Crivella também reclamou da pesquisa de intenções de voto do instituto, que o mostra em segundo lugar na disputa pelo governo do estado, com 17%. De acordo com o Ibope, se as eleições fossem hoje, o peemedebista Sérgio Cabral seria eleito no primeiro turno com 39% dos votos.
¿ Cada instituto dá um número. Há outros levantamentos que indicam uma diferença muito menor. Fiz uma representação ao TRE pedindo que todas as pesquisas sejam divulgadas ¿ afirmou.
A uma eleitora que informou ter votado em Cabral para o Senado em 2002, Crivella disse que o adversário é ¿filho do Garotinho¿. O senador também conversou com camelôs que vendiam produtos piratas. A Carlos Eduardo Rodrigues, dono de uma barraca de controles remotos sem origem identificada, prometeu que, se eleito, vai procurar a prefeitura para criar espaços dedicados ao comércio informal.
¿ Quero organizar esse comércio de rua. O Crivella pensa no pobre. Passou dez anos na África e dois anos no sertão ¿ disse o senador.
Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Crivella passou por constrangimento quando um aposentado reclamou da falta de reajuste nos benefícios pagos pelo governo federal.
¿ O senhor tem razão, mas as coisas estão melhorando ¿ respondeu o senador.
Depois de percorrer cerca de 300 metros acompanhado por militantes que gritavam o bordão da campanha, Crivella cancelou a visita que faria a um hospital de Santa Cruz e seguiu para atividades internas. (Bernardo Mello Franco)