Título: TESOUREIRO DO PT DIZ QUE JÁ ADIA PAGAMENTOS
Autor: Ilimar Franco e Isabel Braga
Fonte: O Globo, 28/07/2006, O País, p. 13
Recursos públicos do fundo partidário, que este ano chegam a R$117 milhões, estão financiando as campanhas
BRASÍLIA. O tesoureiro da candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José de Filippi Junior (PT), disse ontem que já arrecadou R$3 milhões para a campanha. Este dinheiro é insuficiente para pagar as despesas já contraídas pela campanha e, por isso, o partido está protelando alguns pagamentos. Filippi, prefeito licenciado de Diadema (SP), informou que sua expectativa é arrecadar pelo menos mais R$3 milhões até a próxima sexta-feira, quando o partido divulgará o seu primeiro balanço de receita e despesa, conforme prevê a legislação eleitoral.
¿ Nós trabalhamos nos últimos 15 dias para arrecadar cerca de R$10 milhões, mas vamos chegar a pouco mais da metade disso ¿ disse Filippi.
No jantar de adesões que as campanhas do presidente Lula e do senador Aloizio Mercadante (PT), candidato ao governo de São Paulo, realizarão na próxima sexta-feira, dia 4, no Jockey Club de São Paulo, os petistas esperam ter uma receita líquida de R$1,1 milhão. Eles trabalham com a presença de 700 pessoas pagando ingressos individuais de R$2 mil.
Os potenciais doadores estão pedindo tempo para decidir ou propondo parcelar as contribuições. Por isso, disse Filippi, a campanha está em atraso com o pagamento de uma parcela de cerca de 20% do contrato de R$8,2 milhões com a Polis Propaganda e Marqueting, empresa do jornalista João Santana, responsável pelo programa de propaganda eleitoral no rádio e na televisão.
Fundo partidário está financiando as campanhas
Com os partidos alegando dificuldades dos tesoureiros para conseguir doações para as campanhas, os recursos do fundo partidário, depositados mensalmente nas contas das legendas entre os dias 25 e 28 de cada mês, têm financiado as campanhas. Este ano o orçamento do fundo destinará R$117.875.439 a todos os partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral e com representação parlamentar. A distribuição é proporcional ao tamanho do partido. Ficam com a maior parte do bolo os partidos que conseguiram ultrapassar a cláusula de barreira (5% dos votos em pelo menos nove estados).
Normalmente, o fundo partidário é usado pelos partidos para propaganda doutrinária e política, mas na época eleitoral, a lei permite o uso em campanhas (a partir do dia 5 de julho). O TSE já repassou aos partidos 50% do total do ano, ou seja, R$58,937 milhões. O PT, que tem a maior bancada no Congresso, foi o partido que recebeu a maior cota: R$12,060 milhões. A menor fatia foi destinada ao PCO, que recebeu R$10,8 mil.
O PMDB recebeu R$8,7 milhões; o PSDB, R$9,3 milhões; o PFL, R$8,6 milhões. O orçamento de R$117 milhões será acrescido de multas eleitorais devidas pelos próprios partidos, que até maio totalizavam R$12,997 milhões.