Título: `Esse governo será muito diferente¿
Autor: Janaina Figueiredo
Fonte: O Globo, 28/07/2006, O Mundo / Ciencia e Vida, p. 35

BUENOS AIRES. Na visão do novo presidente do Conselho de Ministros (primeiro-ministro) do Peru, Jorge del Castillo, as metas do segundo governo Garcia devem ser: crescimento anual de 7%, redução de pobreza e desemprego. O fantasma da hiperinflação, diz ele, será superado.

Como será este segundo governo?

JORGE DEL CASTILLO: O Gabinete terá uma presença importante de pessoas independentes e não tanto dos partidos tradicionais.

Qual é a mensagem que o novo governo quer dar com este Gabinete?

DEL CASTILLO: Queremos mostrar que este governo será muito diferente do primeiro, dar uma imagem de renovação e abertura a outros setores. No primeiro turno obtivemos 24% dos votos e no segundo pouco mais de 50%, era necessário um Gabinete que refletisse essa realidade.

A designação de funcionários de outros partidos provocou atritos dentro do Partido Aprista Peruano (Apra)?

DEL CASTILLO: Não, o partido entende a situação. Não há qualquer problema.

Que critérios pesaram na hora de armar o Gabinete?

DEL CASTILLO: Convocamos um bom Gabinete, com mulheres e representantes de setores políticos. Alguns membros do Unidade Nacional, mas também muitos independentes, que não pertencem a grandes partidos.

O senhor será premier, trata-se do cargo mais importante do Gabinete.

DEL CASTILLO: É um cargo chave, pois o premier é um importante assessor do presidente e é, também, a pessoa encarregada de organizar o trabalho do Gabinete.

Quais as metas deste segundo governo de Garcia?

DEL CASTILLO: Queremos captar novos investimentos e crescer não menos de 7% ao ano. Reduzir a pobreza e melhorar a situação social da população.

O primeiro governo Garcia deixou o país mergulhado na hiperinflação.

DEL CASTILLO: Sim, mas isso faz parte do passado. Vamos superar esse fantasma.

O que acontecerá com os vizinhos menos amistosos, como o presidente da Venezuela, Hugo Chávez?

DEL CASTILLO: Acho que Chávez não virá à posse. Chávez tem um comportamento estranho, mas com todo o resto nos damos bem. A reconciliação vai depender dele. (J.F.)