Título: PT QUER LEVAR O FOME ZERO PARA A CLASSE MÉDIA
Autor: Soraya Aggege
Fonte: O Globo, 30/07/2006, O País, p. 19
Programa de governo de Lula sugere criar mecanismos para baratear alimentos, como a redução de impostos
SÃO PAULO. Depois do polêmico Fome Zero, a versão 2006 do programa de governo do presidente Lula na área de segurança alimentar deve prometer estender benefícios também para a classe média, com a abertura de canais de acesso a produtos mais baratos e a criação de mecanismos de regulação do mercado. Pelo menos essa é a proposta da comissão que cuida do programa de governo de Lula na área, que foi o mote da campanha em 2002. Intenções quantificadas em números e cifras, no entanto, não entram no documento. O plano ainda será submetido à coordenação da campanha, no dia 10 agosto, e a Lula. O programa de governo global ainda não está pronto e o PT informou que não há sequer previsão de entrega.
¿ Temos duas diretrizes básicas: a continuidade da erradicação da fome no país e a implantação de um programa nacional de abastecimento. Na realidade, 50 milhões de brasileiros vivem em condições de insegurança alimentar ¿ diz a secretária-executiva da comissão de segurança alimentar na campanha de Lula, Marlene da Rocha, secretária nacional de Formação Política do PT.
Incentivos a feiras e mercados populares
A primeira diretriz, de combate à fome, prevê uma ampliação genérica da faixa de atendimento para programas como a merenda escolar (que hoje atende ao ensino básico e seria ampliada para a juventude), o Bolsa Família (que atualmente atende apenas a famílias com renda familiar inferior a R$120), os restaurantes populares, os bancos de alimentos e a agricultura familiar.
¿ Para as famílias que não têm o que pôr na mesa, ampliaremos o Bolsa Família. Mas as demais também terão mais acesso à alimentação barata e de boa qualidade ¿ diz a dirigente do PT.
O segundo alvo, que foca o abastecimento, deve beneficiar também a classe média, além dos mais pobres. A idéia é investir em políticas de mercado no ramo da alimentação, com aberturas de espaços para produtores, incentivos às feiras e aos mercados populares. O plano inclui desde a redução de impostos até a eliminação dos atravessadores, segundo Marlene.
¿ O objetivo é ampliar acessos e regular o mercado. Mas as políticas, no entanto, não serão coercitivas ¿ adiantou Marlene.
De acordo com a dirigente petista, o objetivo do projeto do é conseguir ampliar a expectativa de vida do brasileiro, com programas de qualidade alimentar. Em todas as suas vertentes, o Fome Zero, agora, aparece como uma política de governo, em vez de nome de programa específico, como acontecia em 2002.
¿ Muita gente diz que o Fome Zero acabou, mas na verdade ele está muito mais arraigado. O Fome Zero está hoje na política de vários ministérios, como Saúde, Educação, Trabalho, Desenvolvimento Social, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Econômico, Agricultura, Desenvolvimento Agrário e Pesca. O problema é que, embora os investimentos tenham aumentado menos do que deveriam, as críticas já foram muito agudas ¿ diz Marlene da Rocha.
Propostas serão detalhadas em cadernos temáticos
A coordenação do programa de governo do PT não quis dar informações detalhadas sobre o projeto. Designado para atender O GLOBO em nome equipe de coordenação do programa de governo de Lula, o dirigente petista Glauber Piva foi reticente. Perguntado sobre as principais mudanças nos projetos num eventual segundo governo em relação ao atual, afirmou:
¿ Assim que estiverem definidas, as mudanças serão apresentadas à sociedade.
Piva se limitou a afirmar que o programa de governo será lançado de duas formas: um documento geral, que segue as diretrizes que o partido aprovou em dezembro de 2005, e em seguida cadernos temáticos sobre áreas como segurança alimentar, educação, saúde, economia e desenvolvimento agrário. O conjunto de todo o programa será apresentado durante o horário eleitoral gratuito do PT no rádio e na televisão a partir do próximo dia 15.