Título: ATAQUE DIFICULTA SAÍDA DE BRASILEIROS
Autor: Ricardo Galhardo
Fonte: O Globo, 31/07/2006, O Mundo, p. 17

Itamatary busca informações sobre acesso em rodovia civil no Vale do Bekaa

BRASÍLIA. O bombardeio por Israel da principal estrada que liga o leste do Líbano à Síria pode dificultar a retirada de brasileiros que querem deixar a zona de conflito. É o que disse ontem o embaixador Everton Vieira Vargas, que coordena, no Itamaraty, o apoio a brasileiros no Líbano. Ainda sem saber a dimensão do estrago, ele afirmou que a rodovia é a porta de saída dos moradores do Vale do Bekaa ¿ região montanhosa onde vive boa parte dos brasileiros no Líbano ¿ em direção a Damasco, a capital da Síria.

¿ Não sabemos o quanto esse bombardeio impede o tráfego na rodovia e por quanto tempo ¿ disse Vargas.

Ele explicou que existem duas estradas paralelas, uma restrita a uso militar e outra para veículos civis. O Itamaraty não sabe se as duas pistas foram danificadas. Informações preliminares, segundo ele, dão conta de que o alvo do Exército israelense seria apenas a rodovia militar. O problema é que as bombas teriam danificado também a estrada civil. Diplomatas brasileiros no Líbano estavam em contato ontem com autoridades locais para descobrir até que ponto o trânsito havia sido afetado.

Envio de diplomatas ao Vale do Bekaa é adiado

Foi adiado para hoje o envio ao Vale do Bekaa de dois diplomatas e um funcionário do consulado no Líbano. A missão do trio será organizar comboios de ônibus para levar brasileiros até Damasco. O Itamaraty não tem estimativa de quantos vivem nos povoados do vale e, segundo Vargas, esse número pode variar de 10 mil a 50 mil. O que sabe com certeza é que há localidades na região em que o português é o idioma mais falado.

O envio dos diplomatas sofreu atraso porque o conselheiro Ruy Amaral, que estava em Damasco, na Síria, demorou a chegar ao Líbano devido à destruição de rodovias bombardeadas por Israel.

O Itamaraty custeou as despesas com os comboios anteriores que deixaram o Vale do Bekaa e a organização ficou a cargo de líderes comunitários. No último comboio, havia 300 lugares disponíveis, mas só 50 moradores compareceram. As dificuldades de comunicação podem ser a explicação.

O Itamaraty pediu à TAM mais um vôo a Damasco, na Síria, onde 330 brasileiros esperam para voltar ao Brasil. Ao todo, o Itamaraty tem cadastrados 879 brasileiros ou parentes libaneses que querem deixar a região de conflito.

Segundo Vargas, 1.718 brasileiros já foram retirados do Líbano este mês. Para o Brasil, já voltaram 1.199 em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) e da TAM. A companhia aérea custeou dois vôos, um deles em parceria com a GOL, entre Damasco e São Paulo. Os vôos da FAB partem de Adana, na Turquia, com destino a São Paulo.

O Itamaraty marcou para quarta-feira a saída de um comboio de ônibus de Beirute, capital libanesa, para Adana. O consulado brasileiro naquele país tem registro de pelo menos 462 brasileiros na capital libanesa. Outros 76 estão em Adana e 11 em Amã, na Jordânia. Novos vôos da FAB, de Adana para o Brasil, deverão ser realizados nos próximos dias. Ainda não há datas.

O Boeing 707 da FAB que estava em Natal por um problema mecânico partiu para Adana, aonde deveria chegar ontem mesmo. O avião voltará hoje às 16h (hora de Brasília), com pelo menos 70 brasileiros.