Título: JUSTIÇA ESTUDA OBRIGAR VARIGLOG A PAGAR RESCISÕES
Autor: Geralda Doca
Fonte: O Globo, 02/08/2006, Economia, p. 25

Ministério Público do Trabalho ameaça entrar com ação na Justiça para garantir direitos

RIO e SÃO PAULO. O Ministério Público do Trabalho (MPT) ameaça entrar na Justiça com uma ação cível pública para obrigar a VarigLog a assumir a responsabilidade pelos pagamentos das indenizações trabalhistas dos funcionários demitidos da Varig, informou ontem o procurador Rodrigo Carelli. Após reunião no MPT com representantes das duas empresas e dirigentes sindicais, Carelli disse que o entendimento é a VarigLog, que comprou a Varig, tem a obrigação de arcar com as despesas de rescisões trabalhistas, estimadas em R$260 milhões. Mas o procurador acredita que as partes chegarão a um acordo na próxima reunião, prevista para sexta-feira.

¿ Acreditamos que chegaremos a um entendimento sobre como essas verbas vão ser pagas. O que não é admissível é os funcionários não terem o que comer e estarem em estado de penúria, e essas verbas serem pagas daqui a anos com debêntures ¿ disse Carelli.

A VarigLog não aceita negociar a utilização dos US$75 milhões pagos à Varig após o leilão com verbas rescisórias. A empresa informou ontem que vai recorrer da liminar concedida em 31 de julho pela 33ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho do Rio (TRT), que determinou o bloqueio dos US$75 milhões para pagar dívidas trabalhistas. Segundo a empresa, esses recursos se destinam à operação da Varig e não podem ser utilizados para outros fins.

A advogada da VarigLog, Valeska Teixeira, afirmou que o bloqueio pode paralisar a Varig:

¿ Se (os recursos) forem bloqueados, o que eu duvido, porque vamos lutar até o fim, a Varig morre.

O juiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça, responsável pelo processo de recuperação judicial da Varig, deverá hoje dar seu parecer sobre a liminar do TRT.

Para funcionário, admiração está virando raiva

Já o TRT de São Paulo negou ontem os pedidos, também de bloqueio dos US$75 milhões, dos Sindicatos do Aeroviários de São Paulo e de Guarulhos, para pagamento da dívida trabalhista e do dissídio coletivo da greve. Hoje haverá assembléias em Congonhas e Cumbica para decidir os próximos passos, e não está descartada a greve.

O comissário Henrique Joriam sofre com as indefinições da Varig. Ele acha que está demitido devido ao movimento da escala, mas não recebeu qualquer comunicado da empresa:

¿ Hoje, com o descaso com os funcionários, a admiração que tínhamos pela Varig está virando raiva.

(*) Do Diário de S.Paulo

COLABOROU Nadja Sampaio