Título: DÓLAR VOLTA A CAIR E FECHA EM R$ 2,182. BOLSA SOBE
Autor: Patricia Eloy e Patricia Duarte
Fonte: O Globo, 03/08/2006, Economia, p. 29

Mercado acompanha otimismo externo. Fluxo cambial em julho ficou positivo em US$2,4 bi

RIO e BRASÍLIA. O mercado financeiro brasileiro se recuperou ontem, acompanhando a reação das bolsas americanas principalmente ao resultado da Procter & Gamble (ganho de US$1,9 bilhão no segundo trimestre, 36% maior que no mesmo período de 2005) e ao anúncio da Time Warner de que seus ganhos trimestrais com operações vão superar as previsões dos analistas. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de 1,22%. O dólar caiu 0,45%, para R$2,182, apesar de um novo leilão do Banco Central (BC), que comprou moeda a R$2,178. O risco-Brasil recuou 1,79%, para 219 pontos centesimais.

Os investidores, agora, aguardam a divulgação, amanhã, dos dados da folha de pagamento americana e a próxima reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), que decide o futuro dos juros na próxima terça-feira. Mas, gradativamente, eles parecem estar retomando suas aplicações. Em julho, o fluxo cambial (entrada e saída de moeda estrangeira do país) ficou positivo em US$2,492 bilhões, recuperando quase todas as perdas de US$2,676 bilhões de junho, informou ontem o BC.

Em julho, o saldo comercial continuou segurando as entradas, com ingresso líquido de US$4,795 bilhões, quase 35% a mais do que em junho. Na conta financeira, em julho o saldo ficou negativo em 2,303 bilhões, já indicando investidores menos avessos a riscos que no mês anterior, quando o saldo líquido ficou negativo em US$6,251 bilhões. Ainda segundo o BC, em julho a posição comprada dos bancos ¿ quando apostam na alta do dólar ¿ era de US$1,781 bilhão, abaixo dos US$4,391 bilhões do mês anterior.

A oferta pública das ações do Banco do Brasil (BB) terminou ontem e rendeu aos acionistas que colocaram parte de sua participação à venda (Previ, BNDES e o próprio BB) R$2,273 bilhões. Do total vendido, 28,9% ficaram nas mãos dos pequenos investidores. O restante ficou com grandes aplicadores, sendo um terço com americanos, um terço com europeus e um terço no Brasil. O BB receberá cerca de R$500 milhões com a operação, que serão incorporados ao patrimônio líquido do banco.